O lacrimejamento sem causa aparente costuma mais incomodar do que preocupar. Ainda assim, merece atenção quando se repete por semanas. A lágrima escorre pelo rosto, embaça a visão e irrita a pele das pálpebras. Na maioria das vezes, a origem está em três lugares: na superfície ocular, em uma alergia ou em um bloqueio na drenagem da lágrima. Cada uma dessas causas pede um tratamento diferente.
Por que o olho lacrimeja sem que a gente chore?
O olho produz lágrima o tempo todo. Ela lubrifica a córnea, protege contra poeira e microrganismos e depois escoa por pequenos orifícios no canto interno das pálpebras, chamados pontos lacrimais. Dali, passa pelo canal lacrimal até chegar ao nariz. É por isso que o nariz também escorre durante o choro.
Os médicos chamam o excesso de lágrimas de epífora. Ele aparece quando esse equilíbrio se rompe. Às vezes o olho fabrica lágrima demais por causa de uma irritação. Em outras, a drenagem trava no meio do caminho. Vento, frio, telas e ar-condicionado intensificam o quadro, mas raramente são a única explicação.
O que a pesquisa revela sobre a causa mais frequente?
Um estudo publicado em 2021 analisou 320 olhos de pacientes que se queixavam de lágrima escorrendo. O resultado parece contraditório à primeira vista: o levantamento identificou o olho seco como origem de cerca de 52% dos casos. Logo atrás vieram as alterações anatômicas, como pálpebras frouxas e estreitamentos na via lacrimal.
O dado mais animador é outro. A maior parte dos pacientes melhorou apenas com colírios lubrificantes. Na prática, quando a secura da superfície ocular é tratada, o lacrimejamento reflexo costuma ceder sem cirurgia ou procedimentos invasivos.

Como o olho seco pode deixar o olho molhado?
Parece estranho, mas tem lógica. A lágrima saudável tem uma camada de gordura produzida pelas glândulas de Meibômio. Quando essa gordura falta, a lágrima evapora rápido e a córnea fica exposta. A córnea então envia um alarme ao cérebro, que responde com uma enxurrada de lágrima aquosa. Essa lágrima reflexa lubrifica mal e acaba escorrendo pelo rosto.
O quadro aparece com mais frequência em quem passa horas no computador, usa lentes de contato, está na menopausa ou toma antialérgicos e antidepressivos. Sensação de areia, ardência e visão que oscila ao piscar são pistas comuns. Conhecer os fatores que desencadeiam o olho seco ajuda a ajustar hábitos simples, como fazer pausas diante das telas e piscar com mais frequência.
Coceira e vermelhidão podem indicar conjuntivite alérgica?
Sim. A conjuntivite alérgica é uma inflamação da membrana que recobre a parte branca do olho. Ela é desencadeada por ácaros, pólen, pelos de animais ou mofo, costuma atingir os dois olhos ao mesmo tempo e piora em certas estações do ano. Os sinais mais típicos são:
- Coceira intensa, o sintoma que mais a diferencia de outras causas
- Vermelhidão nos dois olhos
- Lágrima clara e aquosa, sem pus
- Pálpebras inchadas, sobretudo ao acordar
- Espirros e coriza, comuns em quem também tem rinite alérgica
Esfregar os olhos piora a inflamação. Compressas frias e colírios antialérgicos indicados pelo oftalmologista ajudam a controlar as crises. Lavar o rosto ao chegar da rua e trocar as fronhas com frequência também reduzem o contato com os alérgenos que mantêm a conjuntivite alérgica ativa.
Quando a lágrima não consegue escoar pelo canal
Na obstrução do canal lacrimal, a produção de lágrima é normal, mas ela se acumula e transborda. Em bebês, o problema é comum por imaturidade do canal e costuma desaparecer sozinho no primeiro ano de vida. Em adultos, surge com o envelhecimento ou depois de infecções, traumas no rosto e sinusites de repetição.
O sinal clássico é o lacrimejamento constante em um olho só, às vezes com secreção amarelada no canto interno. Se o canal entupido infecciona, aparece a dacriocistite, com dor, vermelhidão e inchaço perto do nariz. Nos casos persistentes, uma cirurgia chamada dacriocistorrinostomia cria uma nova passagem para a lágrima.
Em que momento procurar um oftalmologista?
Lágrima ocasional no vento ou no frio não exige consulta. Uma análise complementar publicada em 2024 propôs critérios para encaminhar ao especialista. Muitos deles coincidem com os sinais abaixo, que pedem avaliação com o oftalmologista:
- Lacrimejamento por mais de duas ou três semanas sem melhora com lubrificantes
- Dor no olho, sensibilidade à luz ou perda de visão
- Pus ou inchaço no canto do olho, que podem indicar obstrução do canal lacrimal infectada
- Lágrima em apenas um olho, sem causa evidente
- Caroço, ferida ou mudança no formato da pálpebra
No consultório, o oftalmologista examina as pálpebras, avalia o filme lacrimal com corantes e testa a passagem da lágrima com uma irrigação do canal. Esse exame diferencia olho seco, alergia e bloqueio da via lacrimal, o que evita meses de colírio errado e permite tratar a causa real da lágrima que insiste em escorrer.
Este conteúdo tem finalidade apenas informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento feitos por um profissional de saúde. Se os sintomas persistirem ou causarem desconforto, procure orientação médica.









