O melanoma de unha é um câncer raro que surge nas células produtoras de pigmento localizadas sob a unha. Na maioria dos casos, ele aparece como uma faixa escura, marrom ou preta, que percorre a unha de cima a baixo. Como pode ser confundido com hematoma ou micose, o diagnóstico costuma atrasar, o que torna a observação das unhas um cuidado importante.
O que é o melanoma de unha?
Na base de cada unha fica a matriz da unha, região que produz a lâmina ungueal. Ali existem melanócitos, células que fabricam a melanina. Quando essas células se multiplicam de forma descontrolada, forma-se o melanoma subungueal, um subtipo do chamado melanoma acral, que atinge mãos, pés e unhas.
O sinal mais comum é a melanoniquia, uma faixa pigmentada no sentido do comprimento da unha. Esse tipo de câncer é raro e representa uma pequena fração de todos os melanomas de pele, mas costuma ser descoberto em fase mais avançada.

O que um estudo revelou sobre o diagnóstico tardio?
O atraso no diagnóstico tem impacto direto no prognóstico. Segundo uma pesquisa publicada no American Journal of Surgery em 2008, médicos do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, analisaram 49 pacientes tratados entre 1992 e 2004. A idade mediana era de 66 anos, e a maioria dos casos ocorreu em mulheres.
O dedão do pé foi o local mais afetado, seguido do polegar. Os tumores dos pés chegavam mais profundos ao diagnóstico, e a sobrevida em cinco anos foi menor nos melanomas do dedo do pé, de 40%, contra 72% nos das mãos. Os autores atribuem parte da diferença ao fato de as unhas dos pés serem menos observadas no dia a dia.
Por que esse câncer acontece?
A causa exata ainda não é conhecida. Diferentemente do melanoma comum, o de unha não tem relação clara com a exposição ao sol, já que a matriz fica protegida pela pele e pela própria unha. Muitos pacientes relatam um trauma no dedo antes do diagnóstico, mas ainda não se sabe se a pancada causa o tumor ou apenas chama a atenção para ele.
O problema é mais frequente após os 50 anos e, proporcionalmente, mais comum em pessoas de pele negra, parda ou de origem asiática. Histórico pessoal ou familiar de melanoma também aumenta o risco. Para conhecer os outros tipos da doença, vale entender os sintomas e tipos de melanoma maligno.
Quais sinais diferenciam o melanoma de uma mancha comum?
Dermatologistas usam uma regra própria para lesões de unha, que considera estes pontos de alerta:
- Faixa escura que surge após os 50 anos, em uma única unha;
- Faixa com mais de 3 milímetros de largura, cores variadas ou bordas borradas;
- Mancha que aumenta de largura ou escurece com o tempo;
- Lesão no polegar, no dedão do pé ou no indicador;
- Pigmento que passa para a pele ao redor da unha, o chamado sinal de Hutchinson;
- Unha que racha, descola, sangra ou deforma sem explicação.
Faixas escuras em várias unhas são comuns em pessoas de pele negra e costumam ser benignas, mas mudanças em uma única unha merecem avaliação.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O dermatologista examina a unha com o dermatoscópio, aparelho que amplia a imagem e mostra o padrão do pigmento. Se houver suspeita, a confirmação depende da biópsia da matriz, feita com anestesia local.
O tratamento principal é a cirurgia. Nos casos iniciais, a retirada ampla da unha e da matriz pode bastar, enquanto tumores mais profundos podem exigir a amputação parcial do dedo. Em doenças avançadas, a imunoterapia faz parte do tratamento.
Mancha que não acompanha o crescimento da unha merece atenção
Um hematoma causado por pancada se desloca para a ponta à medida que a unha cresce, cerca de 3 milímetros por mês nas mãos e mais devagar nos pés. Já a faixa do melanoma continua partindo da base da unha. Fotografar a mancha com uma régua ao lado e comparar a imagem depois de algumas semanas ajuda o médico a avaliar a evolução.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um dermatologista. Diante de uma faixa escura nova ou que muda de aspecto, procure atendimento para investigar.









