A retração gengival e a boca seca costumam surgir juntas depois dos 50 anos e mostram como o envelhecimento chega também aos tecidos da boca. A gengiva perde volume, a raiz do dente fica exposta e a sensibilidade ao frio aumenta. Ao mesmo tempo, a produção de saliva diminui, o que favorece cáries, mau hálito e inflamação.
Por que a retração gengival aumenta com a idade?
A retração gengival acontece quando o tecido que cobre a base do dente se desloca e deixa parte da raiz à mostra. Com os anos, a gengiva fica mais fina e resiste menos às agressões do dia a dia. Alguns fatores aceleram esse processo:
- Doença periodontal, a inflamação causada pelo acúmulo de placa bacteriana
- Escovação com força excessiva ou com escova de cerdas duras
- Bruxismo, o hábito de ranger ou apertar os dentes durante o sono
- Tabagismo, que reduz a circulação de sangue no tecido gengival
- Predisposição genética e gengiva naturalmente fina
O sinal mais comum é a sensibilidade dentária ao tomar algo gelado ou comer doces. Muitas pessoas também notam que os dentes parecem mais compridos, efeito direto da raiz exposta. O dentista identifica o problema medindo a distância entre a borda da gengiva e o esmalte.
Quantas pessoas acima dos 50 anos convivem com a boca seca?
Um estudo publicado em maio de 2026 reuniu dados de 37 pesquisas, somando mais de 1,6 milhão de pessoas com 50 anos ou mais. O resultado apontou uma prevalência global de xerostomia em torno de 21%. Isso significa que cerca de uma em cada cinco pessoas nessa faixa etária relata a sensação de boca seca.
Os autores também avaliaram a hipofunção das glândulas salivares, quando a produção cai de fato, e encontraram índices de 12% a 13%. A diferença mostra que a xerostomia é um sintoma percebido pelo paciente. Nem sempre ela vem acompanhada de uma queda medida no fluxo salivar. Os pesquisadores lembram que os critérios de diagnóstico e os métodos de coleta variam bastante entre os trabalhos.

O que o colágeno tem a ver com a firmeza da gengiva?
O colágeno é a principal proteína estrutural da gengiva e do ligamento que prende o dente ao osso. A partir dos 30 anos, o organismo passa a produzir menos colágeno, e o tecido gengival perde elasticidade e capacidade de regeneração. Uma gengiva mais frágil cede com mais facilidade ao atrito da escova e à inflamação provocada pelas bactérias.
A vitamina C participa diretamente da síntese do colágeno. A carência grave dessa vitamina, conhecida como escorbuto, provoca sangramento e afrouxamento da gengiva. Quem quer entender o problema e os tratamentos disponíveis pode conferir as causas da gengiva retraída e os casos em que o dentista periodontista indica enxerto.
Como a saliva protege dentes e gengivas?
A saliva faz muito mais do que umedecer a boca. Ela funciona como uma barreira de defesa com várias tarefas ao longo do dia:
- Neutraliza os ácidos produzidos pelas bactérias após as refeições
- Repõe cálcio e fosfato no esmalte, ajudando a prevenir cáries
- Carrega enzimas e anticorpos que controlam a proliferação de microrganismos
- Facilita a mastigação, a deglutição e a fala
Quando a saliva diminui, a placa bacteriana se acumula mais rápido e a gengiva inflama. A raiz exposta pela retração não tem esmalte, por isso fica mais vulnerável às cáries radiculares. Em idosos, a causa mais frequente de xerostomia é o uso de medicamentos como antidepressivos, anti-hipertensivos, diuréticos e anti-histamínicos.
O que ajuda a aliviar a boca seca no dia a dia?
Algumas medidas simples estimulam as glândulas salivares e protegem a mucosa. Outra investigação, feita com idosos e pacientes com doenças crônicas, indicou que mascar chiclete aumentou o fluxo salivar, com resultado melhor quanto mais dias durou o hábito. Os sintomas relatados também melhoraram, embora nem todos os estudos tenham mostrado efeito significativo. Na rotina, estas atitudes ajudam:
- Beber água em pequenos goles ao longo do dia
- Preferir chicletes e balas sem açúcar, de preferência com xilitol
- Reduzir café, álcool e cigarro, que ressecam a mucosa oral
- Usar umidificador no quarto durante a noite
- Escovar com cerdas macias e creme dental com flúor
- Pedir ao dentista indicação de saliva artificial ou gel umectante
Quando a visita ao dentista não deve esperar?
Sangramento ao escovar, dentes amolecidos, ardência na língua e dificuldade para engolir alimentos secos pedem avaliação logo. O dentista mede o fluxo salivar, avalia a profundidade da retração e encontra cáries na raiz antes que causem dor. Se a xerostomia estiver ligada a algum remédio, ele pode conversar com o médico sobre ajustes no tratamento. Consultas a cada seis meses permitem acompanhar como gengiva, colágeno e glândulas salivares respondem ao passar dos anos.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um dentista ou médico. Se você tem gengiva sensível, sangramento ou boca seca persistente, procure orientação profissional.









