O colágeno tipo 1 está principalmente na pele, nos ossos e nos tendões, enquanto o tipo 2 forma a cartilagem das articulações. Por isso, os suplementos de tipo 1 costumam ser voltados para a pele, e os de tipo 2, para as juntas. A suplementação pode trazer benefícios modestos em alguns casos, mas não substitui alimentação adequada, proteção solar e exercícios.
O que é o colágeno e por que ele diminui com a idade?
O colágeno é a proteína mais abundante do corpo e funciona como uma rede de sustentação para pele, ossos, tendões, ligamentos e cartilagens. O organismo produz essa proteína a partir de aminoácidos da alimentação, como a glicina e a prolina, com ajuda da vitamina C.
A partir dos 25 a 30 anos, a produção cai aos poucos. Na menopausa, a queda do estrogênio acelera essa perda na pele. O sol, o cigarro e o excesso de açúcar também danificam as fibras de colágeno existentes.

O que a ciência mostra sobre o colágeno para a pele?
O colágeno hidrolisado, usado nos suplementos para pele, é o mais estudado. Segundo uma revisão publicada na revista Nutrients em 2023, pesquisadores reuniram 26 ensaios clínicos com 1.721 participantes que tomaram colágeno hidrolisado ou placebo.
A análise mostrou melhora da hidratação e da elasticidade da pele com o colágeno hidrolisado em comparação com o placebo. O efeito variou conforme a origem do colágeno e o tempo de uso. Os autores também apontaram falhas metodológicas em vários estudos e pediram pesquisas maiores para confirmar os resultados.
Qual a diferença entre o colágeno tipo 1 e o tipo 2?
Os dois tipos têm funções e formas de uso diferentes:
- Tipo 1: corresponde à maior parte do colágeno do corpo e está na pele, nos ossos, nos tendões e nos dentes;
- Tipo 1 em suplemento: costuma vir na forma hidrolisada, em pó, com doses de alguns gramas por dia;
- Tipo 2: é o principal componente da cartilagem que reveste as articulações;
- Tipo 2 em suplemento: geralmente vem na forma não desnaturada, em cápsulas com doses de miligramas.
O tipo 2 não desnaturado age de forma diferente: em vez de servir como matéria-prima, ele parece modular a resposta inflamatória nas articulações. As evidências para alívio de dor na artrose existem, mas ainda são limitadas.
A alimentação fornece colágeno suficiente?
O colágeno ingerido, seja em alimentos ou em suplementos, é quebrado em pequenas partes durante a digestão. O corpo então usa esses aminoácidos onde precisar, e não necessariamente na pele ou nas juntas. Carnes, peixes, ovos, gelatina e caldos de ossos fornecem esses componentes.
Frutas ricas em vitamina C, como laranja, acerola e goiaba, completam o processo de produção. Para montar o cardápio, vale conhecer os alimentos ricos em colágeno.

Quando faz sentido suplementar?
O suplemento pode ser considerado em algumas situações, com orientação profissional:
- Pessoas acima dos 50 anos que comem pouca proteína;
- Mulheres na menopausa com pele mais fina e ressecada;
- Pessoas com artrose leve, como complemento ao tratamento;
- Atletas com dores articulares ligadas ao esforço.
Pessoas com doença renal, alergia a peixe ou frutos do mar e gestantes devem conversar com o médico antes de usar. O suplemento não reverte o desgaste avançado da cartilagem nem substitui remédios indicados pelo ortopedista.
Proteção solar e proteína pesam mais que o pó
Nos estudos com colágeno hidrolisado, os efeitos na pele apareceram após semanas a meses de uso diário e tendem a desaparecer quando o suplemento é suspenso. O protetor solar todos os dias, o abandono do cigarro e uma dieta com proteína suficiente preservam o colágeno com mais eficácia e menor custo. Exercícios de força também estimulam a produção de colágeno em tendões e ossos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Antes de usar suplementos de colágeno, principalmente com doenças crônicas, procure avaliação profissional.









