Os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin são cânceres que surgem nos linfócitos, células de defesa do sistema linfático. A principal diferença está na célula doente: o Hodgkin tem uma célula característica, chamada de Reed-Sternberg, que não aparece no não Hodgkin. Os dois tipos também diferem na frequência, na idade em que surgem, na forma como se espalham e no tratamento.
O que os dois tipos de linfoma têm em comum?
Ambos começam quando os linfócitos passam a se multiplicar de forma descontrolada. Essas células circulam pelo sangue e se concentram nos linfonodos, conhecidos como ínguas, além de órgãos como baço, medula óssea e amígdalas.
Por isso, os dois linfomas costumam provocar aumento dos linfonodos, geralmente sem dor, no pescoço, nas axilas ou na virilha. A diferença entre eles só é confirmada com a análise do tecido no microscópio.

Qual dos dois tipos é mais frequente?
O linfoma não Hodgkin é bem mais comum. Segundo uma pesquisa publicada na revista Cancer Medicine em 2024, pesquisadores analisaram dados de registros de câncer de 185 países, reunidos pela Organização Mundial da Saúde e por bancos internacionais de vigilância. O estudo avaliou incidência, mortalidade e fatores de risco ligados à doença.
Os autores apontam que os linfomas não Hodgkin respondem por 90% dos casos de linfoma maligno. A incidência foi maior em países com mais renda e associada a tabagismo, sedentarismo, obesidade e diabetes. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 12 mil novos casos de linfoma não Hodgkin por ano.
Quais são as principais diferenças entre eles?
Alguns pontos ajudam o médico a separar os dois tipos:
- Célula de origem: o Hodgkin tem as células de Reed-Sternberg, ausentes no não Hodgkin;
- Variedade: o não Hodgkin reúne mais de 50 subtipos, enquanto o Hodgkin tem poucas variações;
- Idade: o Hodgkin é mais comum entre adolescentes e adultos jovens e volta a aumentar após os 55 anos, e o não Hodgkin predomina após os 60;
- Disseminação: o Hodgkin costuma avançar de um grupo de linfonodos para o vizinho, e o não Hodgkin pode surgir em órgãos fora dos linfonodos, como estômago e pele;
- Velocidade: o não Hodgkin pode ser lento, como o folicular, ou muito agressivo, como o linfoma de Burkitt.
Fatores como HIV, uso de remédios que reduzem a imunidade e infecções pelo vírus Epstein-Barr ou pela bactéria H. pylori estão ligados a alguns subtipos. Para reconhecer os sinais da doença, vale conhecer os sintomas mais comuns do linfoma.
Os sintomas dos dois linfomas são diferentes?
Na maioria dos casos, os sinais são parecidos e não permitem diferenciar os tipos. Além das ínguas, os médicos observam os chamados sintomas B, que indicam doença mais ativa:
- Febre sem causa aparente, que vai e volta;
- Suor noturno intenso, a ponto de molhar a roupa de cama;
- Perda de mais de 10% do peso em seis meses sem dieta.
Coceira pelo corpo, cansaço e tosse persistente também podem aparecer. Quando o linfoma atinge órgãos como o estômago, surgem sintomas digestivos, como dor e má digestão.

Como o tratamento muda em cada caso?
No linfoma de Hodgkin, o tratamento costuma combinar quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia, com altas taxas de cura. Imunoterápicos são usados quando a doença volta ou resiste ao tratamento inicial.
No não Hodgkin, a estratégia depende do subtipo. Os agressivos exigem quimioterapia associada a anticorpos, como o rituximabe, logo após o diagnóstico. Alguns subtipos de crescimento lento podem ser apenas acompanhados por um período, e o transplante de medula e a terapia CAR-T entram em casos selecionados.
A biópsia define o tipo e o tratamento
A confirmação depende da biópsia de um linfonodo inteiro ou de um fragmento, analisada com testes que identificam as proteínas das células doentes. Depois disso, exames como o PET-CT mostram a extensão da doença e orientam o estadiamento. Uma íngua que permanece aumentada por mais de quatro semanas, sem infecção que a explique, deve ser avaliada por um médico.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um hematologista ou oncologista. Diante de ínguas persistentes, febre ou perda de peso sem explicação, procure atendimento médico.









