Roer as unhas ocasionalmente pode parecer apenas um hábito, mas quando o comportamento é frequente ele pode machucar a pele ao redor dos dedos e também sobrecarregar os dentes. As consequências mais descritas incluem inflamações e infecções ao redor das unhas, disseminação de verrugas e danos nos dentes anteriores. Quanto mais repetitivo e intenso o hábito, maior a chance de surgirem alterações que mereçam avaliação profissional.
Por que roer as unhas pode favorecer infecções?
Ao morder a unha e puxar a pele ao redor, pequenas fissuras podem surgir perto da cutícula. Essas lesões rompem a barreira de proteção da pele e facilitam a entrada de microrganismos, principalmente quando o hábito também provoca sangramento ou deixa a região constantemente úmida pela saliva.
Uma das possíveis consequências é a paroníquia, inflamação ao redor da unha que pode causar dor, vermelhidão, inchaço e formação de pus. O próprio hábito de roer as unhas está entre os fatores capazes de provocar pequenos ferimentos que favorecem esse problema.
Qual é a relação entre o hábito e as verrugas perto das unhas?
As verrugas periungueais são lesões provocadas por alguns tipos de HPV e aparecem ao redor das unhas. Uma revisão clínica sobre verrugas periungueais e subungueais destaca que essas lesões podem se espalhar para outras regiões da pele e mucosas, algo facilitado quando há manipulação frequente dos dedos.
Roer uma região que já apresenta verruga também pode criar pequenas lesões e facilitar a disseminação do vírus para áreas próximas. Isso não significa que roer unhas cause HPV por si só, mas o trauma repetido pode contribuir para a propagação quando o vírus já está presente.

Os dentes também podem sofrer com a onicofagia?
Sim. A pressão repetida dos dentes contra uma superfície relativamente rígida pode provocar desgaste e pequenos danos principalmente nos incisivos, que são os dentes mais usados para morder as unhas. Uma revisão sobre prevenção das complicações da onicofagia descreve dentes lascados ou com pequenas irregularidades entre as possíveis consequências do hábito crônico.
Outras alterações descritas na literatura incluem:
- desgaste progressivo das bordas dos dentes;
- pequenas lascas ou entalhes nos incisivos;
- irritação e inflamação da gengiva;
- alterações na posição dos dentes em alguns casos;
- lesões recorrentes nas unhas e cutículas.
O que pode ajudar a diminuir o hábito?
Parar de roer as unhas costuma ser mais fácil quando a pessoa identifica em quais situações o comportamento aparece. Tédio, concentração, tensão e estresse podem funcionar como gatilhos, e muitas vezes o gesto acontece automaticamente. Uma revisão clínica sobre onicofagia destaca que abordagens comportamentais fazem parte das estratégias utilizadas para controlar o problema.
Algumas medidas práticas podem ajudar:
- manter as unhas curtas: reduz a superfície disponível para morder;
- evitar peles soltas: cuidar das cutículas diminui a tentação de puxá-las com os dentes;
- identificar gatilhos: perceber em quais momentos o hábito aparece ajuda a interromper o comportamento;
- ocupar as mãos: objetos manipuláveis podem ajudar em momentos de maior impulso;
- usar uma barreira: algumas pessoas se beneficiam de curativos ou produtos próprios de sabor desagradável.

Quando vale procurar ajuda profissional?
Dermatologista ou médico deve avaliar dor persistente, vermelhidão intensa, inchaço, pus ou alterações importantes nas unhas. Verrugas recorrentes ou próximas da matriz da unha também merecem avaliação, já que tratamentos inadequados podem machucar essa região. Um dentista pode examinar desgaste, fraturas ou outros danos nos dentes.
Quando a pessoa tenta parar repetidamente e não consegue, ou quando o hábito causa feridas, sofrimento ou interfere no cotidiano, acompanhamento psicológico também pode ser útil. Roer unhas de forma persistente é conhecido como onicofagia e pode fazer parte dos comportamentos repetitivos focados no corpo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou orientação individualizada de médico, dermatologista, dentista ou outro profissional de saúde.









