Febre, calafrios, dor no corpo e cansaço podem aparecer em diferentes infecções transmitidas por mosquitos, mas os exames usados para identificá-las não são iguais. No caso da malária, o diagnóstico procura o próprio parasita ou componentes relacionados a ele no sangue. A gota espessa é o principal exame para malária no Brasil, enquanto testes rápidos e técnicas moleculares podem ser utilizados em situações específicas.
Como é feito o exame de gota espessa para malária?
A gota espessa utiliza uma pequena amostra de sangue colocada em uma lâmina, que depois é preparada e examinada ao microscópio. O objetivo é visualizar o Plasmodium, parasita responsável pela malária. Além de confirmar a infecção, a análise pode ajudar a identificar a espécie e estimar a quantidade de parasitas no sangue.
O Ministério da Saúde considera a gota espessa o método oficialmente adotado no Brasil para o diagnóstico da malária. Quando executada adequadamente, ela apresenta boa sensibilidade, tem baixo custo e fornece informações importantes para a escolha e o acompanhamento do tratamento.
Quando o teste rápido para malária pode ser usado?
Os testes rápidos não procuram o parasita diretamente ao microscópio. Eles detectam antígenos, que são componentes produzidos pelo Plasmodium e presentes no sangue durante a infecção. O resultado pode ser obtido rapidamente e sem a estrutura necessária para realizar uma análise microscópica.
Eles são especialmente úteis quando a gota espessa não está disponível em tempo adequado, como em áreas remotas ou durante determinados plantões. Entretanto, têm limitações: não medem adequadamente a densidade de parasitas e alguns antígenos podem permanecer detectáveis após o tratamento. Por isso, o tipo de exame utilizado deve seguir o protocolo do serviço de saúde.

E para que servem os exames moleculares?
Exames moleculares, como a PCR, procuram material genético do parasita. Essas técnicas conseguem detectar infecções com uma quantidade muito pequena de Plasmodium no sangue e podem ajudar na identificação da espécie. No Brasil, porém, o Ministério da Saúde informa que seu uso ainda é mais restrito a laboratórios de referência devido ao custo, à infraestrutura e à necessidade de profissionais especializados.
Isso significa que um exame mais sofisticado não é necessariamente o primeiro a ser solicitado. Na assistência cotidiana, a microscopia e os testes rápidos continuam tendo papel central. Para entender melhor a infecção, seus sintomas e a forma de confirmação, o Tua Saúde explica como é feito o diagnóstico da malária e quais manifestações podem ocorrer.
Os mesmos exames detectam dengue, chikungunya e outras infecções?
Não. A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium, enquanto dengue e chikungunya, por exemplo, são infecções virais. Por isso, o exame depende tanto da doença suspeita quanto do momento em que a amostra é coletada. Entre as possibilidades estão:
- dengue: pode ser investigada por detecção do antígeno NS1, RT-PCR ou sorologia, conforme o período da doença;
- chikungunya: pode envolver testes moleculares para detectar o RNA viral ou exames sorológicos para identificar anticorpos;
- febre amarela: pode exigir exames moleculares, sorológicos ou outros testes realizados em laboratórios de referência.
Até mesmo entre arboviroses semelhantes, o período desde o início dos sintomas influencia qual teste oferece a informação mais útil. O Tua Saúde apresenta, por exemplo, os principais exames usados na investigação da dengue.

Por que procurar o serviço de saúde rapidamente faz diferença?
A malária pode começar com sintomas que também aparecem em outras infecções, e apenas os sintomas não confirmam o diagnóstico. A Organização Mundial da Saúde recomenda que pessoas com suspeita de malária sejam avaliadas com diagnóstico baseado na detecção do parasita, por microscopia ou teste rápido, antes do tratamento sempre que esses métodos de qualidade estiverem disponíveis.
Confirmar a malária rapidamente permite iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de evolução para formas graves. Por isso, quem apresenta febre após permanecer ou viajar para uma área com transmissão de malária deve informar esse histórico ao profissional de saúde e realizar os exames indicados, em vez de tentar identificar a doença por conta própria.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A suspeita de malária ou de outra infecção transmitida por mosquito deve ser avaliada em um serviço de saúde adequado.









