Quando a febre da dengue finalmente cede, a sensação natural é de alívio e de que o pior já passou, mas é justamente nesse momento que começa a fase mais perigosa da doença. Entre o terceiro e o sétimo dia a partir do início dos sintomas, podem surgir os chamados sinais de alarme, que indicam risco de evolução para quadros graves com extravasamento de plasma, sangramentos e queda brusca da pressão. Reconhecer esse período de atenção é fundamental para procurar atendimento a tempo e evitar complicações que podem colocar a vida em risco.
Por que a fase crítica começa quando a febre baixa?
A dengue tem uma evolução em três fases: febril, crítica e de recuperação. A febre costuma durar de dois a sete dias e, quando ela desaparece, o corpo entra em um período em que os vasos sanguíneos podem ficar mais permeáveis, deixando o plasma escapar para fora da circulação.
Esse processo acontece de forma silenciosa e pode levar à queda da pressão arterial e ao choque. Por isso, a melhora aparente da febre não deve ser interpretada como sinal de recuperação definitiva.
Quais são os sinais de alarme que exigem atenção imediata?
Os sinais de alarme definidos pela Organização Mundial da Saúde ajudam a identificar quem precisa de avaliação urgente e eventual internação. Preste atenção aos seguintes sintomas:
- Dor abdominal intensa e contínua, especialmente ao toque
- Vômitos persistentes, três ou mais episódios em uma hora
- Sangramento em mucosas, como gengiva, nariz ou presença na urina
- Sonolência ou irritabilidade fora do habitual
- Tontura, fraqueza intensa ou sensação de desmaio ao levantar
- Pele fria, úmida e pálida, com extremidades arroxeadas
- Acúmulo de líquidos, com inchaço na barriga ou pernas
- Diminuição da urina ao longo do dia
Diante de qualquer um desses sinais, procure imediatamente um serviço de emergência, mesmo que a febre tenha desaparecido completamente.

O que a ciência mostra sobre esses sinais de alarme?
A classificação da OMS para dengue foi avaliada em diferentes estudos ao longo dos últimos anos, com foco na capacidade dos sinais de alarme em prever a evolução para quadros graves. Segundo o estudo The Value of Warning Signs From the WHO 2009 Dengue Classification in Detecting Severe Dengue in Children, publicado na revista The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene e indexado no PubMed, sinais como aumento do fígado e acúmulo clínico de líquidos têm valor relevante para identificar precocemente crianças com maior risco de evoluir para a forma grave da doença.
Esse achado reforça a importância da observação clínica contínua entre o terceiro e o sétimo dia da doença, mesmo em pacientes que aparentam estar melhorando após o fim da febre.
Como acompanhar a dengue em casa com segurança?
O acompanhamento domiciliar exige atenção redobrada aos sintomas e hidratação constante, conforme detalhado no artigo sobre tratamento da dengue. Siga estas orientações:
- Beba muita água, soro caseiro, água de coco ou chás ao longo do dia
- Use apenas medicamentos indicados pelo médico para dor e febre, como paracetamol ou dipirona
- Evite ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios, que aumentam o risco de sangramento
- Faça repouso e observe diariamente a evolução dos sintomas
- Anote o dia em que começaram os sintomas para informar ao serviço de saúde
- Retorne ao hospital imediatamente diante de qualquer sinal de alarme
Pessoas em grupos de risco, como gestantes, idosos, crianças pequenas e portadores de doenças crônicas, precisam de monitoramento ainda mais rigoroso, pois têm maior chance de evoluir para a forma grave.

Quem está mais propenso a desenvolver a forma grave?
Reinfecções pelo vírus da dengue, especialmente por sorotipos diferentes do primeiro contato, aumentam significativamente o risco de evolução para a dengue hemorrágica. O sistema imunológico, nesses casos, pode responder de forma exagerada, facilitando o extravasamento de plasma.
Além disso, pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças autoimunes também apresentam maior vulnerabilidade. A vacinação contra dengue, quando indicada, e o controle do mosquito transmissor seguem como as principais estratégias de prevenção.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de suspeita de dengue ou surgimento de qualquer sinal de alarme, procure imediatamente atendimento médico.









