Dor na panturrilha que aparece durante a caminhada e melhora depois de alguns minutos de repouso pode ser um sinal de que o sangue não está chegando aos músculos em quantidade suficiente. Esse padrão é conhecido como claudicação intermitente e é uma manifestação típica da doença arterial periférica. Pés mais frios e feridas que demoram a cicatrizar também podem aparecer, especialmente quando a circulação está mais comprometida.
Por que a panturrilha pode doer justamente ao caminhar?
Durante a caminhada, os músculos das pernas precisam receber mais oxigênio. Na doença arterial periférica, placas de gordura estreitam as artérias e dificultam o aumento do fluxo sanguíneo necessário durante o esforço. Isso pode provocar dor, aperto, peso ou câimbra, frequentemente na panturrilha.
Segundo o National Heart, Lung, and Blood Institute, a dor que aparece ao caminhar e melhora com o repouso é chamada de claudicação intermitente. Ela também pode surgir na coxa, nos glúteos ou nos pés, dependendo das artérias afetadas.
Pés frios e feridas também podem ser sinais da circulação arterial?
Sim. Quando o fluxo arterial para uma perna ou pé diminui, a região pode ficar mais fria do que o outro lado. Mudanças de cor, redução de pelos, unhas que crescem mais lentamente e dormência também podem ocorrer, embora nenhum desses sinais isoladamente confirme a doença.
Feridas nos dedos, pés ou pernas que cicatrizam muito lentamente merecem atenção especial. Quando há pouca chegada de sangue aos tecidos, a oferta de oxigênio e nutrientes necessários à cicatrização também fica prejudicada. O Tua Saúde reúne esses e outros sinais associados a alterações da circulação nas pernas.

Quem tem maior risco de doença arterial periférica?
A doença arterial periférica está fortemente relacionada à aterosclerose, o acúmulo de placas nas artérias. O risco aumenta com a idade e com condições que favorecem danos aos vasos sanguíneos.
Entre os fatores que merecem mais atenção estão:
- tabagismo atual ou passado;
- diabetes;
- pressão alta;
- colesterol elevado;
- doença renal crônica;
- histórico de outras doenças cardiovasculares.
O cigarro é um dos fatores de risco mais relevantes, e pessoas com diabetes também apresentam maior risco de complicações nos pés e nas pernas. A diretriz de 2024 para doença arterial periférica reforça a importância de controlar diabetes, pressão, colesterol e tabagismo para reduzir complicações cardiovasculares e nos membros.
Como o médico investiga se há uma artéria estreitada?
A investigação começa pela história dos sintomas e pelo exame físico, incluindo avaliação da pele e dos pulsos nas pernas e nos pés. Um dos testes mais utilizados é o índice tornozelo-braquial, que compara a pressão arterial medida no tornozelo com a do braço e ajuda a identificar redução do fluxo arterial.
Dependendo do resultado e da intensidade dos sintomas, podem ser necessários exames adicionais, como ultrassom Doppler ou métodos de imagem das artérias. O angiologista ou cirurgião vascular está entre os especialistas indicados para avaliar esse tipo de alteração circulatória e definir se são necessárias mudanças de hábitos, medicamentos ou procedimentos específicos.

Quando os sinais exigem uma avaliação mais rápida?
Dor recorrente ao caminhar que começa a limitar atividades merece investigação, principalmente em fumantes, pessoas com diabetes ou quem já apresenta doença cardiovascular. Feridas que não cicatrizam, dor no pé mesmo em repouso ou mudanças persistentes de temperatura e coloração também precisam de avaliação médica.
Se uma perna ou um pé ficar subitamente muito doloroso, frio, pálido ou dormente, especialmente com perda de força, é necessário procurar atendimento imediatamente. Uma interrupção súbita do fluxo arterial é diferente da evolução habitual da claudicação e pode representar uma emergência vascular.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Sintomas persistentes de má circulação devem ser avaliados por um profissional de saúde para identificar a causa e indicar o tratamento adequado.









