O café aparece com frequência em pesquisas sobre saúde do fígado, mas isso não significa que tomar algumas xícaras por dia seja uma forma comprovada de reduzir ALT, AST ou outras enzimas alteradas na esteatose hepática. Quando o objetivo é melhorar o fígado gorduroso, as medidas com melhor respaldo continuam sendo perda de peso gradual quando necessária, atividade física, alimentação de melhor qualidade, controle do diabetes e redução do álcool.
O café realmente consegue baixar as enzimas do fígado?
Estudos observacionais já encontraram níveis mais baixos de algumas enzimas hepáticas entre pessoas que tomam café regularmente. Porém, esse tipo de pesquisa não consegue provar que foi o café que provocou a diferença, porque outros hábitos podem interferir nos resultados.
Quando são analisados estudos clínicos, a conclusão fica mais cautelosa. Uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos em pessoas com fígado gorduroso não encontrou redução significativa de ALT ou AST com café ou extrato de café. Outra metanálise de ensaios randomizados também não demonstrou efeito significativo sobre ALT, AST ou GGT.
Então o café precisa ser retirado da rotina?
Não necessariamente. Há pesquisas que associam o consumo habitual de café a alguns desfechos hepáticos favoráveis, incluindo menor fibrose em determinados grupos. Isso é diferente de afirmar que a bebida funciona como tratamento para baixar enzimas do fígado.
Para quem já toma café e não tem contraindicação, ele pode continuar fazendo parte da alimentação. Uma escolha simples é evitar transformá-lo em fonte frequente de açúcar, xaropes ou grandes quantidades de creme. Também não há motivo para começar a tomar grandes doses de café esperando “desinflamar” ou limpar o fígado.

O que realmente ajuda a melhorar o fígado gorduroso?
As diretrizes europeias conjuntas para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica colocam mudanças de estilo de vida no centro do tratamento. Entre as estratégias mais importantes estão:
- perder peso de forma gradual quando existe sobrepeso ou obesidade;
- praticar atividade física regularmente;
- reduzir bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados;
- manter uma alimentação rica em vegetais, frutas, leguminosas e alimentos pouco processados;
- controlar adequadamente diabetes, colesterol e pressão alta;
- reduzir ou evitar álcool conforme a orientação médica.
As diretrizes EASL, EASD e EASO para MASLD reforçam especialmente a perda de peso, a melhora da alimentação, o exercício e o tratamento dos fatores cardiometabólicos associados.
Por que perder peso e fazer exercício podem ajudar mais?
Quando há excesso de peso, a redução gradual do peso corporal pode diminuir o acúmulo de gordura dentro do fígado e melhorar alterações metabólicas que sustentam a doença. A atividade física também ajuda mesmo antes de grandes mudanças na balança, porque melhora condicionamento, sensibilidade à insulina e controle metabólico.
O Tua Saúde explica que o tratamento da gordura no fígado envolve mudanças nos hábitos de vida, alimentação e, em alguns casos, medicamentos orientados pelo gastroenterologista ou hepatologista. A estratégia depende da causa e da presença de outras doenças.

Enzimas normais significam que o fígado já está saudável?
Não. ALT, AST e GGT são úteis na investigação, mas não mostram sozinhas quanto de gordura, inflamação ou fibrose existe. Uma pessoa pode apresentar esteatose mesmo com enzimas dentro dos valores de referência, enquanto uma elevação pode ter causas diferentes do fígado gorduroso.
Por isso, quem apresenta enzimas persistentemente alteradas deve investigar a causa em vez de tentar normalizar apenas o número do exame com café, suplementos ou receitas caseiras. O acompanhamento pode incluir avaliação clínica, exames de sangue e, conforme o caso, ultrassom ou métodos para estimar fibrose.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou outro profissional de saúde.









