O ibuprofeno é um dos anti-inflamatórios mais usados para aliviar dores e baixar a febre, por ser acessível e eficaz. O problema é que, para quem já tem gastrite, esse medicamento pode agredir ainda mais o estômago e favorecer o surgimento de úlceras. Isso acontece porque o remédio reduz a proteção natural da parede estomacal, deixando o órgão mais vulnerável ao próprio ácido da digestão. Entender esse risco ajuda a usar o ibuprofeno com segurança e a reconhecer sinais que não devem ser ignorados.
Como o ibuprofeno agride o estômago?
O ibuprofeno age bloqueando substâncias chamadas prostaglandinas, que participam da inflamação e da dor. O problema é que essas mesmas substâncias ajudam a proteger a parede do estômago.
Com menos prostaglandinas, o estômago reduz a produção de muco e fica mais exposto ao ácido. Por isso, o uso de anti-inflamatórios merece atenção especial em quem já tem a mucosa fragilizada.
Por que quem tem gastrite corre mais risco?
Na gastrite, a parede do estômago já está inflamada e mais sensível. Ao reduzir ainda mais a proteção natural, o ibuprofeno pode agravar essa inflamação.
Esse efeito aumenta a chance de evoluir para uma úlcera ou até um sangramento digestivo. Em pessoas que já convivem com os diferentes tipos de gastrite, esse cuidado se torna ainda mais importante.

Que cuidados ajudam a proteger o estômago?
Algumas medidas simples reduzem o risco de irritação ao usar esse tipo de remédio. Veja os principais cuidados para quem precisa tomar ibuprofeno com mais segurança:
- Nunca usar em jejum sem orientação médica;
- Tomar o medicamento junto com alimentos ou um pouco de leite;
- Usar sempre a menor dose eficaz e pelo menor tempo possível;
- Evitar combinar com outros anti-inflamatórios por conta própria.
Que sinais de alerta merecem atenção?
Durante o uso do ibuprofeno, alguns sintomas indicam que o estômago pode estar sendo lesionado e pedem avaliação médica. Fique atento aos seguintes sinais:
- Dor ou queimação persistente no estômago;
- Vômitos com sangue ou com aspecto de borra de café;
- Fezes escuras ou com sangue;
- Náuseas frequentes, perda de apetite ou mal-estar.
Diante de qualquer um desses sinais, o medicamento deve ser suspenso e um médico procurado o quanto antes. Não se deve esperar o quadro melhorar sozinho quando há suspeita de sangramento.

O que um estudo científico revela sobre esse risco?
As orientações da gastroenterologia e das bulas encontram respaldo em pesquisas que acompanharam grandes populações de usuários desses medicamentos. Um estudo de coorte realizado na Dinamarca avaliou o impacto dos anti-inflamatórios sobre o risco de sangramento no estômago.
Segundo o estudo Upper gastrointestinal bleeding among users of NSAIDs publicado na revista British Journal of Clinical Pharmacology, o uso desses medicamentos foi associado a um risco de sangramento digestivo várias vezes maior do que o esperado. Os autores observaram que o risco aumentava com doses maiores e diminuía rapidamente após a suspensão do remédio.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Procure sempre orientação profissional antes de usar qualquer medicamento.









