A falta de vitamina B12 costuma ser associada a uma alimentação pobre em carnes, ovos e laticínios, mas essa não é a única explicação. Medicamentos como metformina e remédios que reduzem a acidez do estômago, incluindo o omeprazol, podem diminuir a absorção da vitamina quando usados por períodos prolongados. A idade também aumenta o risco, porque alterações no estômago podem dificultar o aproveitamento da B12 mesmo quando ela está presente na dieta.
Por que a falta de vitamina B12 pode acontecer mesmo com uma boa alimentação?
A vitamina B12 dos alimentos precisa passar por várias etapas antes de ser absorvida no intestino. Primeiro, ela é liberada das proteínas dos alimentos com a ajuda do ácido do estômago e depois se liga ao fator intrínseco, uma proteína necessária para sua absorção. Por isso, alterações nesse processo podem provocar deficiência mesmo quando a pessoa consome alimentos ricos em vitamina B12 regularmente.
Entre as causas possíveis estão gastrite atrófica, anemia perniciosa, cirurgias do estômago ou intestino e doenças que prejudicam a absorção. Além disso, alguns medicamentos podem interferir nesse caminho e merecem atenção principalmente quando usados durante meses ou anos.
Omeprazol pode diminuir a absorção de vitamina B12?
O omeprazol pertence ao grupo dos inibidores da bomba de prótons, medicamentos que diminuem a produção de ácido no estômago. Essa ação é útil no tratamento de refluxo, úlceras e outras condições, mas o ácido gástrico também participa da liberação da vitamina B12 presente nos alimentos.
Uma revisão sobre inibidores da bomba de prótons, metformina e vitamina B12 descreve que medicamentos que reduzem a acidez podem diminuir as concentrações da vitamina ao interferirem em sua absorção. O risco depende de fatores como duração do tratamento, dose, idade e presença de outras condições que também dificultem a absorção.

Por que a metformina também merece atenção?
A metformina é amplamente usada no tratamento do diabetes tipo 2 e pode reduzir os níveis de vitamina B12 em algumas pessoas, sobretudo com uso prolongado. O mecanismo é diferente daquele dos remédios para o estômago e envolve alterações na absorção da vitamina no intestino.
Uma pesquisa publicada em 2025 com pessoas com diabetes tipo 2 observou risco maior de deficiência de B12 entre quem utilizava metformina junto com inibidores da bomba de prótons do que entre usuários de metformina isoladamente. Isso reforça a importância de considerar o conjunto de medicamentos e outros fatores de risco ao investigar a deficiência.
Quem tem maior risco de ficar com vitamina B12 baixa?
Além do uso prolongado de determinados medicamentos, alguns grupos apresentam maior chance de absorver menos vitamina B12 ou consumir quantidades insuficientes. Entre eles estão:
- idosos, especialmente quando há gastrite atrófica;
- pessoas que usam metformina por períodos prolongados;
- usuários de omeprazol e outros medicamentos que reduzem a acidez gástrica por longo tempo;
- veganos e vegetarianos com baixa ingestão de alimentos fortificados ou suplementação inadequada;
- pessoas com anemia perniciosa, doenças intestinais ou histórico de cirurgia gastrointestinal.
O Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos destaca os adultos mais velhos entre os grupos de maior risco, principalmente porque alterações gástricas relacionadas à idade podem reduzir a liberação e a absorção da vitamina presente nos alimentos.

É preciso parar o remédio se a vitamina B12 estiver baixa?
Não. Metformina, omeprazol ou qualquer outro medicamento não deve ser interrompido por conta própria. Se houver sintomas como cansaço persistente, palidez, formigamento, dormência, alterações de equilíbrio ou se a pessoa tiver fatores de risco, o médico pode solicitar exames para medir a vitamina B12 e, quando necessário, complementar a investigação.
Quando a deficiência é confirmada, é possível tratar a falta de B12 e avaliar sua causa sem necessariamente suspender um medicamento importante. A decisão depende do motivo pelo qual o remédio é usado, do tempo de tratamento, dos exames e da situação clínica de cada pessoa.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação ou orientação de um profissional de saúde.









