Tomar um multivitamínico diariamente pode parecer uma forma simples de proteger a saúde por muitos anos, mas um grande estudo publicado em 2024 não encontrou esse efeito sobre a longevidade. Entre mais de 390 mil adultos geralmente saudáveis acompanhados por mais de duas décadas, o uso diário de multivitamínicos não esteve associado a menor risco de morte. Isso não significa, porém, que suplementos sejam inúteis para quem apresenta deficiência nutricional ou uma indicação específica.
O que o estudo com 390 mil pessoas encontrou?
O trabalho publicado no JAMA Network Open analisou 390.124 adultos de três grandes estudos de coorte dos Estados Unidos. Os participantes não tinham histórico de doenças crônicas graves no início da análise e foram acompanhados por mais de 20 anos, período em que ocorreram 164.762 mortes.
Depois de considerar fatores como idade, tabagismo, alimentação, atividade física, peso e consumo de álcool, os pesquisadores não encontraram redução da mortalidade entre quem relatava tomar multivitamínico diariamente. Como se trata de um estudo observacional, o resultado mostra uma associação e não permite concluir que os suplementos aumentem ou reduzam diretamente o tempo de vida.
Então multivitamínico faz bem ou não?
A resposta depende do motivo pelo qual ele é utilizado. Para uma pessoa saudável que já consegue obter vitaminas e minerais suficientes por meio da alimentação, as evidências não sustentam a ideia de que tomar um multivitamínico todos os dias prolongue a vida.
O Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos também informa que a maioria das pesquisas encontra pouco ou nenhum efeito dos multivitamínicos sobre desfechos como doenças cardiovasculares, câncer e mortalidade. Isso é diferente de dizer que vitaminas e minerais não são necessários: eles são essenciais, mas normalmente devem vir principalmente de uma alimentação variada.

Quem pode realmente precisar de suplementação?
Existem situações em que suplementos são indicados justamente porque a alimentação ou a absorção do organismo não consegue fornecer determinada quantidade de nutrientes. Nesses casos, o objetivo não é “viver mais” de maneira genérica, e sim corrigir ou prevenir uma deficiência específica.
O Tua Saúde explica que o multivitamínico pode ser indicado quando não é possível obter vitaminas suficientes apenas pela alimentação. Entre as situações que podem exigir avaliação individual estão:
- deficiências de vitaminas ou minerais confirmadas por avaliação médica;
- dietas muito restritivas;
- cirurgia bariátrica ou síndromes de má absorção;
- gravidez, quando determinados nutrientes têm recomendações específicas;
- baixa ingestão alimentar por condições clínicas ou perda de apetite.
Tomar vitaminas sem necessidade pode trazer problemas?
Sim. Como muitos suplementos são vendidos sem receita, existe a impressão de que qualquer quantidade seria segura. Na prática, doses elevadas ou a combinação de vários produtos podem levar ao consumo excessivo de nutrientes como ferro, vitamina A, zinco, niacina e ácido fólico.
Além disso, suplementos podem interagir com medicamentos e fornecer quantidades muito acima das necessidades diárias. Alguns cuidados ajudam a evitar o uso desnecessário:
- não usar doses altas apenas para “reforçar” a saúde;
- evitar combinar diferentes suplementos com os mesmos nutrientes;
- informar ao médico os suplementos usados regularmente;
- investigar possíveis deficiências quando houver sintomas ou fatores de risco.

Quem já toma multivitamínico deve parar?
O estudo não é motivo para interromper automaticamente uma suplementação que tenha indicação médica. Pessoas com deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D ou outros nutrientes, por exemplo, podem precisar de reposição em doses e períodos específicos. Nesses casos, o benefício procurado é corrigir uma necessidade identificada.
Para adultos saudáveis que utilizam multivitamínicos apenas na expectativa de aumentar a longevidade, os dados disponíveis não mostram esse benefício. O mais adequado é avaliar alimentação, necessidades individuais e possíveis deficiências antes de decidir se a suplementação realmente acrescenta algo.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









