Sim. Alguns tipos de remédio para dormir, especialmente os que têm efeito sedativo, podem aumentar o risco de quedas em pessoas com 60 anos ou mais. Isso acontece porque esses medicamentos podem causar sonolência, tontura, redução da atenção e movimentos mais lentos, efeitos que dificultam manter o equilíbrio ao levantar da cama, caminhar no escuro ou ir ao banheiro durante a noite. Ainda assim, o tratamento não deve ser interrompido por conta própria.
Por que alguns medicamentos aumentam o risco de queda?
Com o envelhecimento, o organismo pode ficar mais sensível aos efeitos de determinados medicamentos e eliminá-los mais lentamente. Isso pode fazer com que a sonolência ou a redução dos reflexos durem mais tempo, inclusive na manhã seguinte ao uso.
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde inclui o uso de medicamentos sedativos, hipnóticos e ansiolíticos entre os fatores associados a quedas em pessoas idosas. O risco também pode aumentar quando vários medicamentos são usados ao mesmo tempo.

Quais sinais podem indicar que o remédio merece revisão?
Nem toda tontura ou queda é causada pela medicação, mas alguns sintomas que aparecem depois de começar um tratamento ou modificar a dose devem ser relatados ao profissional de saúde. Vale prestar atenção principalmente a:
- sonolência intensa durante o dia;
- tontura ou sensação de desequilíbrio;
- dificuldade para se levantar ou caminhar logo após acordar;
- confusão ou atenção reduzida;
- tropeços ou quedas que começaram recentemente;
- sensação de fraqueza ou movimentos mais lentos.
Esses sintomas também podem ter outras causas, como alterações da pressão arterial, problemas de visão, fraqueza muscular ou doenças neurológicas. Por isso, é importante avaliar o conjunto da situação.
Devo parar o remédio para dormir?
Não é seguro interromper o medicamento sozinho. Alguns remédios usados para insônia, ansiedade ou outras condições podem causar sintomas de abstinência ou piora importante do quadro quando são suspensos de forma abrupta.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas idosas mantenham uma lista atualizada de todos os medicamentos utilizados e a levem às consultas. Isso inclui remédios prescritos, medicamentos comprados sem receita, suplementos e outros produtos. Essa revisão permite verificar se alguma combinação pode estar aumentando o risco de quedas e se ajustes são necessários.
O que pode ajudar a reduzir o risco dentro de casa?
Além da revisão dos medicamentos, pequenas mudanças no ambiente ajudam a diminuir situações que favorecem quedas, especialmente durante a noite. Entre os cuidados recomendados estão:
- manter o caminho até o banheiro bem iluminado;
- evitar tapetes soltos e objetos espalhados pelo chão;
- usar calçados firmes e com sola antiderrapante;
- levantar da cama devagar, principalmente se houver tontura;
- instalar barras de apoio quando houver dificuldade de mobilidade;
- informar à equipe de saúde qualquer queda ou episódio frequente de desequilíbrio.
Para entender outros fatores envolvidos, veja também os principais cuidados relacionados a quedas em idosos.

Quando uma queda precisa de avaliação médica?
Uma queda nova ou repetida merece atenção, principalmente quando acontece sem uma causa evidente. O Ministério da Saúde destaca que quedas não devem ser consideradas uma consequência normal do envelhecimento, já que podem estar relacionadas a medicamentos, alterações do equilíbrio, fraqueza muscular, problemas de visão ou outras condições de saúde.
Após uma queda, procure atendimento com maior rapidez se houver batida na cabeça, perda de consciência, confusão, dor intensa, deformidade, dificuldade para apoiar o peso em uma perna ou incapacidade para se levantar. Mesmo quando não há lesão aparente, quedas recorrentes devem ser relatadas ao médico para investigar a causa e revisar os medicamentos em uso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









