O lacrimejamento constante incomoda, embaça a visão e irrita a pele ao redor dos olhos. Parece contraditório, mas muitas vezes o olho escorre porque está seco ou inflamado. Observar o sintoma que acompanha as lágrimas ajuda a chegar ao diagnóstico certo. Coceira, ardência e secreção apontam para causas diferentes, e cada uma tem um tratamento próprio.
Por que o olho escorre mesmo sem motivo aparente?
A glândula lacrimal produz lágrima o tempo todo, e as pálpebras a espalham pela córnea a cada piscada. Depois, ela escoa por dois pequenos orifícios no canto interno do olho. Em seguida, passa pelo canal lacrimal e chega ao nariz. É por isso que o nariz escorre quando alguém chora.
O excesso aparece quando esse equilíbrio se rompe. Às vezes a produção aumenta porque a córnea ou a conjuntiva estão irritadas. Em outros casos, a drenagem fica lenta por causa de um bloqueio no caminho. Também pode haver os dois problemas ao mesmo tempo, o que é comum em pessoas mais velhas.
O que a pesquisa mostra sobre a origem do lacrimejamento?
Uma revisão publicada em 2024, voltada a médicos da atenção primária, organizou a investigação do olho lacrimejante em três grandes grupos. O texto aponta a obstrução da drenagem, as doenças palpebrais e o excesso reflexo de lágrima como origens principais. O olho seco aparece como exemplo central do terceiro grupo.
Na prática, pingar qualquer colírio sem saber a causa costuma não resolver. Um olho seco precisa de lubrificação. Já uma via lacrimal entupida pode exigir procedimento. Por isso, a consulta começa com perguntas simples: as lágrimas escorrem de um olho ou dos dois? Pioram com vento? Vêm com secreção?

Quais são as 7 causas mais comuns e o que ajuda em cada uma?
A lista abaixo reúne os motivos mais frequentes de olhos molhados no consultório oftalmológico. Ao lado de cada causa está a medida que costuma trazer alívio.
- Olho seco: a superfície ressecada provoca um lacrimejamento reflexo, com lágrimas aguadas e de baixa qualidade. Ajudam lágrimas artificiais sem conservantes e pausas frequentes diante das telas.
- Alergia ocular: pólen, ácaros e pelos de animais causam coceira e vermelhidão. Compressas frias e colírios antialérgicos indicados pelo médico aliviam as crises.
- Conjuntivite infecciosa: vem com secreção e olhos colados ao acordar. Limpeza com soro fisiológico ajuda e, na forma bacteriana, o médico pode prescrever colírio antibiótico.
- Obstrução do canal lacrimal: a lágrima escorre pela bochecha, geralmente de um lado só. Massagem no canto interno do olho pode ajudar, e casos persistentes podem precisar de cirurgia.
- Blefarite: inflamação na borda das pálpebras, com crostas entre os cílios. Compressas mornas e limpeza diária das pálpebras controlam o quadro.
- Pálpebras fora de posição: no ectrópio, a pálpebra inferior cai para fora. No entrópio, os cílios raspam a córnea. A correção costuma ser cirúrgica.
- Corpo estranho e irritantes: cisco, fumaça, cloro de piscina e vento frio. Lavar com soro e usar óculos de proteção resolve a maioria dos episódios.
Coceira ou ardência: o sintoma que separa alergia de olho seco
A alergia ocular costuma afetar os dois olhos ao mesmo tempo. Ela vem com coceira intensa, pálpebras inchadas e, muitas vezes, espirros. Piora em ambientes empoeirados e em certas estações do ano, e quem tem rinite fica mais vulnerável. Reconhecer os sintomas da alergia nos olhos permite começar o tratamento antes que a irritação se agrave.
O olho seco, por outro lado, provoca mais ardência e sensação de areia do que coceira. Ele é comum em quem passa horas no computador, usa lentes de contato, está na menopausa ou toma antidepressivos e anti-histamínicos. A ardência estimula a produção de lágrimas aguadas, que escorrem sem lubrificar bem a superfície do olho.
Quando o canal lacrimal entupido precisa de cirurgia?
A obstrução do canal lacrimal é frequente em bebês e em adultos acima dos 50 anos. Nos recém-nascidos, ela costuma se resolver sozinha até o primeiro ano de vida, com massagens orientadas pelo pediatra. Nos adultos, a causa pode ser o estreitamento natural da via com a idade, infecções repetidas, sinusite crônica ou trauma no nariz.
Quando o entupimento persiste, existem opções cirúrgicas. Uma revisão sistemática de 2025 analisou 28 estudos sobre tratamentos para o lacrimejamento funcional. Ela mostrou que a dacriocistorrinostomia teve a maior taxa de sucesso, e as complicações foram em geral leves e passageiras. A cirurgia cria uma nova passagem entre o saco lacrimal e o nariz.
Quais sinais pedem avaliação com o oftalmologista?
Na maioria das vezes, o olho lacrimejando não é uma urgência. Alguns sinais, porém, indicam que é preciso marcar consulta logo:
- dor forte ou visão embaçada que não melhora ao piscar;
- inchaço vermelho e dolorido no canto interno do olho, que pode indicar dacriocistite;
- secreção amarelada ou esverdeada por mais de três dias;
- lágrimas escorrendo de um só olho por várias semanas;
- sensibilidade intensa à luz depois de pancada ou contato com produto químico.
Antes da consulta, anote se as lágrimas vêm com coceira, ardência ou secreção e se escorrem de um lado só. Com essas informações, o oftalmologista pode testar a drenagem com colírio de corante e examinar as pálpebras na lâmpada de fenda. A partir daí, ele separa olho seco, alergia ocular e obstrução e indica lubrificante, antialérgico ou cirurgia, conforme a origem do lacrimejamento.
As informações deste texto são educativas e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento feitos por um profissional de saúde. Se o lacrimejamento persistir ou vier acompanhado de dor, procure um oftalmologista.









