Quando se fala em gota, a carne vermelha costuma receber grande parte da atenção. Porém, bebidas açucaradas, produtos ricos em frutose e o consumo de álcool também estão associados ao aumento do ácido úrico e a um risco maior de crises de gota. Por isso, controlar apenas carnes e vísceras pode não ser suficiente quando outros hábitos continuam favorecendo a hiperuricemia.
Por que bebidas açucaradas podem aumentar o ácido úrico?
A frutose tem uma via de metabolização capaz de aumentar a formação de ácido úrico. Ela está presente naturalmente nas frutas, mas também aparece em grande quantidade no açúcar de mesa, em xaropes e em muitas bebidas industrializadas, como refrigerantes, refrescos e algumas bebidas de fruta adoçadas.
Uma metanálise publicada em 2025 com 22 estudos e mais de 235 mil participantes encontrou associação entre maior consumo de bebidas açucaradas e risco aumentado de hiperuricemia e gota. Isso não significa que uma lata de refrigerante isoladamente provoque uma crise, mas o consumo frequente pode contribuir para o risco ao longo do tempo.
E por que a cerveja e outras bebidas alcoólicas merecem atenção?
O álcool também interfere no metabolismo do ácido úrico e pode dificultar sua eliminação. A cerveja merece atenção adicional porque, além do álcool, contém purinas, substâncias que são transformadas em ácido úrico no organismo.
A relação não se limita à cerveja. Uma análise recente de estudos sobre álcool, hiperuricemia e gota encontrou associação entre o consumo de bebidas alcoólicas e maior risco dessas condições, com tendência de aumento conforme a frequência de consumo. Por isso, quem já tem gota deve conversar com o médico sobre a quantidade de álcool adequada para seu caso.

Então é preciso cortar completamente a carne vermelha?
Não necessariamente. Carnes vermelhas e algumas vísceras são fontes importantes de purinas e podem elevar o ácido úrico quando consumidas em excesso, mas a alimentação para gota deve ser avaliada como um conjunto. Focar em apenas um alimento pode fazer com que outras fontes relevantes, como álcool e bebidas açucaradas, sejam ignoradas.
O Tua Saúde explica na dieta para controlar o ácido úrico que refrigerantes, doces, bebidas alcoólicas e alimentos muito ricos em purinas estão entre os itens que merecem atenção. A necessidade de restrição varia conforme os níveis de ácido úrico, a frequência das crises e outras condições de saúde.
Quais trocas ajudam no dia a dia?
Algumas mudanças simples permitem reduzir a exposição a frutose adicionada e álcool sem tornar a alimentação excessivamente restritiva. Entre as opções estão:
- trocar refrigerante comum por água ou água com gás sem açúcar;
- preferir a fruta inteira em vez de bebidas de fruta adoçadas ou sucos industrializados;
- evitar usar cerveja ou outras bebidas alcoólicas como consumo habitual;
- substituir parte das carnes por ovos, laticínios com menor teor de gordura e proteínas vegetais, conforme orientação nutricional;
- manter boa hidratação, se não houver restrição médica de líquidos.
Também vale observar rótulos de bebidas e alimentos industrializados, já que açúcar, xarope de milho e outros adoçantes contendo frutose podem aparecer com diferentes nomes.

Alimentação sozinha consegue prevenir uma crise de gota?
Nem sempre. O ácido úrico também é influenciado por genética, função dos rins, peso corporal, doenças metabólicas e alguns medicamentos. Para pessoas com gota estabelecida, mudanças na dieta ajudam, mas não substituem o tratamento indicado para manter o urato em níveis adequados e prevenir novas crises.
Quem apresenta episódios repetidos de dor intensa, vermelhidão, calor e inchaço em uma articulação deve procurar avaliação médica. Medicamentos para reduzir o ácido úrico não devem ser iniciados, suspensos ou ter a dose modificada por conta própria, inclusive durante uma crise.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









