Usar a bombinha de asma parece simples, mas pequenos erros podem fazer com que menos medicamento chegue às vias respiratórias. Não preparar corretamente o dispositivo, esquecer de soltar o ar antes da dose, inspirar na velocidade errada ou não prender a respiração depois da inalação são falhas frequentes. A técnica muda conforme o tipo de inalador, por isso é importante aprender o passo a passo específico do aparelho prescrito.
1. Não preparar ou agitar a bombinha quando necessário
Nos inaladores pressurizados em spray que precisam ser agitados, pular essa etapa pode prejudicar a administração correta da dose. O ideal é conferir a orientação específica do dispositivo, porque nem todos os inaladores funcionam da mesma maneira e alguns não exigem agitação.
Também é importante verificar se o aparelho está montado corretamente, se ainda possui doses e se necessita de algum preparo antes do primeiro uso ou após ficar vários dias sem ser utilizado. O Tua Saúde mostra o passo a passo e as diferenças entre os tipos de bombinha de asma.
2. Esquecer de soltar o ar antes de inspirar o medicamento
Antes de colocar o bocal na boca, deve-se expirar normalmente até esvaziar os pulmões de forma confortável. Começar a inalação com os pulmões já cheios limita a quantidade de ar que pode entrar junto com o medicamento, prejudicando a técnica.
Uma revisão sistemática sobre erros no uso de inaladores disponível no PubMed identificou falhas frequentes justamente na preparação da inalação, na velocidade da inspiração e na pausa respiratória após a dose. Os autores observaram que a técnica incorreta continua sendo muito comum entre usuários desses dispositivos.

3. Inspirar rápido demais ao usar a bombinha em spray
Nos inaladores pressurizados dosimetrados, aqueles que liberam o medicamento em forma de spray ao serem pressionados, é necessário coordenar o disparo com uma inspiração lenta e profunda. Puxar o ar rapidamente pode aumentar a deposição do medicamento na boca e na garganta, em vez de favorecer sua chegada às vias respiratórias.
De forma simplificada, o uso costuma envolver:
- soltar o ar antes da dose;
- colocar o bocal entre os lábios;
- começar a inspirar lentamente;
- pressionar o frasco enquanto continua puxando o ar;
- encher os pulmões de maneira lenta e profunda.
Já inaladores de pó seco podem exigir uma inspiração mais rápida e vigorosa. Por isso, a técnica de um dispositivo não deve ser automaticamente aplicada a outro.
4. Não prender a respiração depois da inalação
Depois que o medicamento entra nos pulmões, prender a respiração por alguns segundos ajuda as partículas a se depositarem nas vias respiratórias. Quando a pessoa inspira e imediatamente solta todo o ar, parte do medicamento pode ser eliminada antes de se depositar adequadamente.
A mesma revisão disponível no PubMed encontrou a ausência dessa pausa respiratória entre os erros mais comuns no uso de inaladores. Em geral, recomenda-se segurar a respiração por cerca de 10 segundos, quando isso for confortável, e depois expirar lentamente.

5. Dispensar o espaçador ou esquecer de enxaguar a boca
O espaçador pode facilitar bastante o uso das bombinhas pressurizadas, principalmente para quem tem dificuldade em coordenar o momento de apertar o frasco com a inspiração. Ele mantém o aerossol em uma câmara por alguns instantes, permitindo que o medicamento seja inalado com mais facilidade. Um estudo disponível no PubMed sobre espaçadores e inaladores pressurizados destaca que esses dispositivos reduzem a necessidade de coordenação entre mão e respiração e podem melhorar a deposição do medicamento nas vias aéreas inferiores.
Outro cuidado vale especialmente para bombinhas que contêm corticoide inalatório: depois do uso, é indicado enxaguar a boca com água e cuspir, sem engolir. Isso ajuda a reduzir a quantidade de medicamento que permanece na boca e diminui o risco de efeitos locais, como candidíase oral e rouquidão.
Se a bombinha parece não funcionar como antes, não aumente a quantidade de doses por conta própria. A técnica deve ser revisada periodicamente com médico, enfermeiro ou farmacêutico, principalmente quando os sintomas permanecem frequentes ou o inalador de alívio precisa ser usado repetidamente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. O modo correto de usar o inalador depende do tipo de dispositivo e do medicamento prescrito, por isso siga as orientações do profissional de saúde e da bula do produto.









