O número de brasileiros vivendo com doenças inflamatórias intestinais aumentou de forma expressiva nos últimos anos. Dados apresentados em 2026 no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia indicam que a prevalência chegou a cerca de 158 casos por 100 mil habitantes em 2025, quase 60% acima do índice observado em 2020. O avanço chama atenção para doenças crônicas como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, cujos sintomas podem ser confundidos inicialmente com problemas intestinais mais comuns.
O que mostrou o levantamento feito com dados do SUS?
O levantamento apresentado pelos pesquisadores Abel Quaresma e Paulo Kotze utilizou registros do DataSUS e atualizou uma análise nacional anterior. Em 2020, havia aproximadamente 100,1 pessoas com doença inflamatória intestinal para cada 100 mil habitantes. Em 2025, essa prevalência teria alcançado 158 por 100 mil, representando uma alta de quase 60% em cinco anos.
O trabalho anterior, já publicado e disponível no PubMed, analisou 212.026 pacientes atendidos pelo sistema público brasileiro entre 2012 e 2020. Naquele período, a prevalência havia aumentado de 30 para 100,1 casos por 100 mil habitantes. É importante diferenciar prevalência de incidência: prevalência representa quantas pessoas vivem com a condição, enquanto incidência indica novos diagnósticos em determinado período.
Quais doenças estão incluídas nesse aumento?
Doença inflamatória intestinal, ou DII, é o nome dado principalmente a duas condições crônicas: doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Ambas envolvem uma resposta imunológica inadequada e inflamação persistente no trato digestivo, mas podem atingir regiões diferentes.
Na doença de Crohn, a inflamação pode aparecer em diferentes partes do sistema digestivo, da boca ao ânus. Já a colite ulcerativa compromete principalmente o intestino grosso e o reto. O levantamento anterior mostrou crescimento particularmente importante da prevalência das duas condições no país.

Por que existem cada vez mais pessoas com DII?
O aumento não possui uma única explicação. Mudanças ambientais e de estilo de vida associadas à urbanização são investigadas, assim como alimentação, microbiota intestinal, genética e alterações da resposta imunológica. Ao mesmo tempo, maior conhecimento sobre essas doenças, ampliação da investigação e melhora na capacidade de diagnóstico também podem contribuir para que mais pacientes sejam identificados.
Além disso, a prevalência pode crescer porque pessoas diagnosticadas permanecem vivendo com uma doença crônica durante muitos anos. Por esse motivo, o aumento de pessoas registradas com DII não deve ser interpretado automaticamente como aumento equivalente de novos casos.
Quais sintomas não devem ser ignorados?
Os sintomas variam conforme a doença, a região afetada e a intensidade da inflamação. Alguns sinais que justificam investigação quando persistem incluem:
- diarreia recorrente ou prolongada;
- sangue ou muco nas fezes;
- dor abdominal frequente;
- urgência para evacuar;
- perda de peso sem explicação;
- febre ou cansaço associados aos sintomas intestinais.
Esses sinais não significam necessariamente doença inflamatória intestinal. Infecções, intolerâncias alimentares e outras condições também podem provocar sintomas semelhantes. O Tua Saúde explica como é feita a investigação da doença inflamatória intestinal e quais sintomas são mais frequentes.

Por que o diagnóstico correto faz diferença?
A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa alternam períodos de maior atividade com fases em que os sintomas diminuem ou desaparecem. Sem acompanhamento adequado, a inflamação persistente pode favorecer anemia, deficiência de nutrientes, perda de peso e outras complicações. O tratamento busca controlar a inflamação, manter a doença em remissão e preservar a qualidade de vida.
Quem apresenta sintomas intestinais persistentes ou recorrentes deve procurar um gastroenterologista em vez de atribuí-los continuamente a alimentação ou “intestino sensível”. Exames de sangue, fezes, colonoscopia e outros testes podem ser utilizados conforme o caso.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. A presença de sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, febre persistente ou diarreia prolongada merece investigação médica.









