Para quem tem artrose no joelho e está com sobrepeso ou obesidade, emagrecer pode fazer parte do próprio tratamento. A redução do peso diminui a carga que a articulação precisa suportar durante atividades como caminhar, subir escadas e levantar da cadeira e pode contribuir para menos dor e melhor capacidade de movimento. Não é necessário chegar ao “peso ideal” para começar a obter benefícios, e diretrizes de reumatologia recomendam a perda de peso para pessoas com artrose do joelho que apresentam excesso de peso.
Por que o excesso de peso aumenta a dor no joelho?
Os joelhos sustentam o corpo repetidamente ao longo do dia. Durante a caminhada e outros movimentos, a força exercida sobre essas articulações pode ser maior do que o próprio peso corporal. Quando existe excesso de peso, essa carga adicional se repete a cada passo, o que pode aumentar o desconforto em uma articulação já afetada pela artrose.
O peso também não atua apenas de forma mecânica. O tecido adiposo produz substâncias envolvidas em processos inflamatórios, que são estudadas por sua possível participação na osteoartrite. Por isso, controlar o peso pode contribuir para o tratamento por diferentes mecanismos. O Tua Saúde explica outros fatores envolvidos nos sintomas e no tratamento da artrose no joelho.
É preciso emagrecer muito para perceber diferença?
Não necessariamente. A diretriz do American College of Rheumatology e da Arthritis Foundation recomenda fortemente a perda de peso para pessoas com artrose do joelho ou quadril que estejam com sobrepeso ou obesidade. O documento também indica que os benefícios tendem a aumentar conforme cresce a perda de peso.
A diretriz publicada no Arthritis Care & Research considera a perda de pelo menos 5% do peso corporal associada a melhora clínica, com benefícios progressivamente maiores em reduções superiores. Isso significa que uma pessoa de 90 kg, por exemplo, não precisa esperar uma transformação muito grande no peso para que uma redução clinicamente relevante já possa contribuir para o tratamento.

O que os estudos mostram sobre dor e movimento?
Um ensaio clínico publicado no JAMA acompanhou 823 pessoas com 50 anos ou mais, artrose do joelho e sobrepeso ou obesidade. Após 18 meses, o grupo submetido a um programa de alimentação e exercícios perdeu, em média, cerca de 8% do peso e apresentou menos dor no joelho do que o grupo de comparação.
A diferença na dor entre os grupos foi pequena, segundo os próprios pesquisadores, mas outros resultados também melhoraram. O estudo reforça um ponto importante: emagrecer não deve ser visto como uma solução isolada para a artrose. A combinação com atividade física e fortalecimento faz parte do tratamento e pode ajudar a preservar a função da articulação.
Como emagrecer sem prejudicar ainda mais os joelhos?
Dietas muito restritivas podem favorecer perda de massa muscular, justamente quando músculos fortes são importantes para estabilizar a articulação. O objetivo deve ser uma redução gradual e sustentável, associada a exercícios compatíveis com a capacidade de cada pessoa.
Algumas estratégias que podem fazer parte do acompanhamento incluem:
- reduzir gradualmente o excesso de calorias da alimentação;
- priorizar verduras, legumes, frutas, feijões e fontes adequadas de proteína;
- diminuir bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados;
- realizar exercícios de fortalecimento orientados para coxas e quadril;
- utilizar atividades de menor impacto, como bicicleta ou exercícios na água, quando forem mais confortáveis.

Emagrecer faz a artrose desaparecer?
Não. Perder peso pode diminuir a sobrecarga, aliviar sintomas e facilitar os movimentos, mas não significa reconstruir a cartilagem já desgastada nem curar a artrose. O tratamento pode incluir também exercícios, fisioterapia, medicamentos e outras medidas, dependendo da intensidade da dor e das limitações de cada pessoa.
Quem tem peso adequado não deve tentar emagrecer apenas por causa da artrose. Já pessoas com sobrepeso ou obesidade podem conversar com médico e nutricionista sobre uma meta segura e realista. Dor intensa, aumento importante do inchaço, travamento do joelho ou dificuldade crescente para caminhar também merecem avaliação médica.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um ortopedista, reumatologista ou outro profissional de saúde.









