Manter a memória ativa ao longo dos anos não depende de um único exercício ou suplemento. Estimular o cérebro, praticar atividade física, preservar o convívio social, cuidar da audição e controlar a pressão arterial estão entre as medidas associadas a menor risco de declínio cognitivo e demência. Esses hábitos não garantem que uma pessoa ficará livre de Alzheimer, mas fazem parte das estratégias mais consistentes para proteger a saúde cerebral.
1. Ler e continuar aprendendo coisas novas
Leitura, estudo, aprendizado de um idioma, música, jogos que exigem raciocínio e outras atividades intelectualmente desafiadoras ajudam a manter o cérebro estimulado. O objetivo não é apenas repetir tarefas já dominadas, mas buscar atividades que exijam atenção, memória e aquisição de novas habilidades.
O Tua Saúde reúne estratégias para melhorar e exercitar a memória, incluindo aprender algo novo e realizar atividades cognitivamente estimulantes. Esse tipo de hábito contribui para a chamada reserva cognitiva, capacidade do cérebro de lidar melhor com alterações que podem surgir com o envelhecimento.
2. Praticar atividade física regularmente
O exercício beneficia não apenas músculos e coração. A prática regular está associada a melhor circulação cerebral e a menor risco de doenças cardiovasculares, fatores que também influenciam a saúde cognitiva. Caminhadas, musculação, bicicleta, dança e outras modalidades podem ser escolhidas conforme as condições e preferências de cada pessoa.
O relatório de 2024 da Comissão Permanente da revista The Lancet sobre prevenção e cuidado da demência reúne atividade física entre os fatores modificáveis relacionados ao risco de demência. O documento reforça que intervenções ao longo da vida podem contribuir para reduzir esse risco, embora nenhuma medida isolada ofereça proteção absoluta.

3. Manter relações sociais e evitar o isolamento
Conversar, encontrar familiares e amigos, participar de grupos e realizar atividades coletivas exigem atenção, linguagem, memória e interpretação de informações. Além disso, o isolamento social é reconhecido como um fator associado a maior risco de demência.
Na prática, o estímulo social pode vir de situações simples, como:
- manter contato frequente com amigos e familiares;
- participar de cursos, grupos ou atividades comunitárias;
- praticar hobbies em companhia de outras pessoas;
- evitar permanecer longos períodos socialmente isolado.
Não existe uma quantidade exata de encontros que garanta proteção. O mais importante é preservar vínculos significativos e oportunidades regulares de interação.
4. Cuidar da audição ao perceber dificuldade para escutar
Perda auditiva não tratada pode dificultar conversas e favorecer isolamento, além de aumentar o esforço necessário para compreender sons e falas. Por isso, perceber que é preciso aumentar demais o volume da televisão ou pedir constantemente para as pessoas repetirem o que disseram merece avaliação.
A Comissão da The Lancet também inclui a perda auditiva entre os fatores modificáveis relacionados ao risco de demência. Quando houver indicação profissional, aparelhos auditivos e outras medidas para corrigir a dificuldade de ouvir podem ajudar a preservar a comunicação e a participação social.

5. Controlar a pressão e outros fatores cardiovasculares
O cérebro depende de uma rede saudável de vasos sanguíneos. Hipertensão ao longo da vida pode causar danos vasculares que aumentam o risco de AVC e também estão associados a maior probabilidade de comprometimento cognitivo e demência.
Por isso, vale medir a pressão periodicamente e seguir corretamente o tratamento quando houver hipertensão. Também é importante cuidar de outros fatores cardiovasculares, como tabagismo, colesterol elevado, diabetes e excesso de peso. Essas medidas não “previnem o Alzheimer” de maneira garantida, mas podem reduzir fatores que contribuem para o risco de demência.
Esquecimentos ocasionais são comuns, mas dificuldades de memória que pioram progressivamente, interferem no trabalho, nas tarefas de casa ou na autonomia devem ser avaliadas por um médico.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Alterações persistentes ou progressivas de memória precisam ser investigadas por um profissional de saúde.








