Ao receber um exame com ácido úrico elevado, a reação mais comum é culpar imediatamente a alimentação e cortar carnes e frutos do mar. No entanto, o nível de ácido úrico no sangue depende de um equilíbrio delicado entre o que o corpo produz e o que os rins conseguem eliminar. Quando esse equilíbrio se desfaz, a comida pode ser apenas uma parte da explicação, enquanto fatores como alterações renais, doenças metabólicas e até medicamentos têm papel central no problema.
Como o corpo controla o ácido úrico?
O ácido úrico é produzido quando o organismo quebra substâncias chamadas purinas, presentes nos alimentos e nas próprias células. Parte dele permanece no sangue e o restante deve ser eliminado, principalmente pela urina.
O nível de ácido úrico depende, portanto, de dois lados de uma balança, a produção e a eliminação. Quando um deles falha, surge o ácido úrico alto, mesmo em pessoas que cuidam da alimentação.
Por que os rins são tão importantes nesse equilíbrio?
A maior parte do ácido úrico é eliminada pelos rins, que funcionam como um filtro do sangue. Quando esse filtro não trabalha bem, a substância se acumula, independentemente do que a pessoa come.
Por isso, alguém com a função renal reduzida pode ter o ácido úrico elevado mesmo com uma dieta equilibrada. O foco apenas na comida pode esconder esse papel central dos rins.

Quais fatores além da comida elevam o ácido úrico?
Vários fatores que não têm relação direta com o prato podem desequilibrar os níveis de ácido úrico. Entre os principais estão:
- Alterações nos rins, que reduzem a eliminação da substância pela urina;
- Doenças metabólicas, como obesidade, diabetes e síndrome metabólica;
- Uso de medicamentos, como diuréticos e alguns imunossupressores;
- Hipertensão arterial, frequentemente associada à retenção de ácido úrico;
- Fatores genéticos, que afetam a produção ou a excreção da substância.
Esses fatores mostram que o ácido úrico alto costuma ser multifatorial, e olhar só para a alimentação pode deixar de lado causas importantes que precisam de avaliação.
O que uma revisão científica mostra sobre o papel dos rins?
A importância dos rins no controle do ácido úrico é um dos pontos mais consolidados na literatura médica, e ajuda a explicar por que a dieta nem sempre é a vilã. Uma revisão científica analisou como o organismo regula a eliminação dessa substância e quais mecanismos renais estão envolvidos no acúmulo. Segundo a revisão Regulation of uric acid excretion by the kidney, publicada no periódico Current Rheumatology Reports, a hiperuricemia na maioria dos casos resulta da baixa eliminação do ácido úrico pelos rins, e não apenas do excesso de produção.
Esse achado reforça que tratar o ácido úrico alto focando somente na comida pode não resolver o problema, já que a raiz muitas vezes está na forma como o corpo elimina a substância.

Como investigar a causa do ácido úrico alto?
Diante de um exame alterado, o ideal é procurar o médico para investigar a origem, com avaliação da função renal e de possíveis doenças associadas. O tratamento varia conforme a causa identificada.
Além dos ajustes na dieta, pode ser necessário revisar medicamentos, controlar o peso e tratar condições de base. Em alguns casos, o médico indica remédios para reduzir a produção ou facilitar a eliminação, prevenindo complicações como a gota e as pedras nos rins.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou profissional de saúde qualificado. Para investigar a causa do ácido úrico alto e definir o tratamento adequado, procure orientação médica profissional.








