A rinite alérgica costuma ficar mais intensa entre setembro e dezembro. Nessa época, a primavera enche o ar de pólen. Espirros em sequência, coriza, nariz entupido e olhos lacrimejando são as queixas mais comuns nos consultórios de alergia nessa fase. Boa parte da exposição aos alérgenos pode ser controlada dentro de casa, com medidas simples e baratas.
Por que a rinite alérgica piora na primavera?
Na primavera, árvores, gramíneas e plantas ornamentais soltam grande quantidade de pólen para se reproduzir. Esses grãos são leves e viajam com o vento por quilômetros. Eles entram pelas janelas e grudam em roupas, cabelos e pelos de animais. Em pessoas com predisposição, o sistema imunológico trata essas partículas como ameaça e libera histamina. É essa substância que incha a mucosa nasal e provoca coceira e coriza.
O clima também pesa. Dias secos e com vento espalham mais partículas, e a baixa umidade resseca as vias aéreas. Na Região Sul do Brasil, a polinização de gramíneas como o azevém concentra os picos de crise entre outubro e dezembro. Esse quadro recebe o nome de polinose.
O que a ciência diz sobre a lavagem nasal nas crises?
A lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas mais indicadas por otorrinolaringologistas para quem tem alergia respiratória. Uma revisão publicada em novembro de 2025 comparou diferentes formulações de irrigação nasal com placebo. O resultado mostrou melhora dos sintomas nasais e da qualidade de vida em pessoas com rinite alérgica.
Segundo os pesquisadores, o benefício vem da remoção mecânica dos alérgenos e das secreções acumuladas na mucosa. A irrigação não substitui os anti-histamínicos nem os corticoides nasais prescritos pelo médico. Ela funciona como apoio ao tratamento, principalmente depois de um dia de parque, praia ou caminhada ao ar livre.

Como saber se o pólen está por trás dos espirros?
Os sintomas da polinose lembram um resfriado comum. Alguns detalhes ajudam a separar uma coisa da outra:
- Crises que voltam todos os anos na mesma estação
- Coceira forte no nariz, no céu da boca e nos olhos
- Coriza clara e aquosa, sem febre
- Piora em dias de vento ou depois de passeios em áreas verdes
- Sintomas que duram semanas, e não apenas 5 a 7 dias como uma virose
Quando esse padrão se repete, é útil entender como tratar a rinite alérgica e quais exames confirmam o alérgeno envolvido. O teste cutâneo de puntura, feito pelo alergista, identifica em poucos minutos se a reação é ao pólen, à poeira ou a pelos de animais.
6 cuidados dentro de casa para reduzir os alérgenos
Algumas mudanças na rotina diminuem a quantidade de partículas alergênicas nos cômodos e aliviam o nariz durante a estação das flores:
- Manter as janelas fechadas pela manhã e em dias de vento, quando a concentração de grãos no ar é maior.
- Tomar banho e trocar de roupa ao chegar da rua, para tirar as partículas presas nos cabelos e na pele.
- Secar as roupas dentro de casa ou em área coberta, já que o varal externo acumula grãos.
- Limpar o piso com pano úmido ou aspirador com filtro HEPA, em vez de vassoura, que levanta a poeira.
- Lavar a roupa de cama toda semana em água acima de 60 °C, temperatura capaz de eliminar os ácaros.
- Fazer a lavagem nasal com soro fisiológico à noite, para remover o que ficou retido nas narinas ao longo do dia.
Purificadores de ar podem entrar como complemento. Uma análise complementar de 2024 apontou pequena redução dos sintomas diurnos e noturnos com o uso de filtros de ar. O efeito sobre o consumo de remédios, porém, foi limitado.
Os ácaros também pioram nesta estação?
Sim, e muita gente confunde a origem das crises. Os ácaros são aracnídeos microscópicos. Eles se alimentam da descamação da pele e vivem em colchões, travesseiros, tapetes, cortinas e sofás de tecido. As temperaturas amenas e a umidade das chuvas de primavera favorecem a reprodução desses bichinhos.
Por isso, o alérgico costuma reagir a dois gatilhos ao mesmo tempo. O pólen vem de fora e a poeira doméstica está dentro de casa. Capas antiácaro em colchões e travesseiros e a retirada de bichos de pelúcia do quarto reduzem o contato durante o sono, justamente quando o nariz entupido mais atrapalha a respiração.
Quando a rinite alérgica precisa de avaliação médica?
Espirros que interrompem o sono, obstrução nasal por semanas, chiado no peito ou dor na face indicam que a inflamação pode ter evoluído para sinusite ou estar associada à asma. Nesses casos, o alergista ou o otorrinolaringologista pode pedir exames, ajustar a medicação e avaliar a imunoterapia com vacinas antialérgicas. Esse tratamento reduz a sensibilidade aos grãos das plantas e aos ácaros ao longo de três a cinco anos de aplicação.
As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um médico, o diagnóstico ou o tratamento individualizado. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure um profissional de confiança.








