Sentir uma necessidade difícil de controlar de mexer as pernas quando está sentado ou deitado, especialmente à noite, pode ter um padrão diferente de uma câimbra muscular comum. Quando o desconforto melhora temporariamente ao caminhar, alongar ou movimentar as pernas, uma das possibilidades é a síndrome das pernas inquietas.
Como diferenciar pernas inquietas de uma câimbra?
A câimbra costuma provocar uma contração muscular súbita, dolorosa e facilmente percebida, muitas vezes deixando a panturrilha endurecida por alguns segundos ou minutos. Já nas pernas inquietas, o mais característico é uma sensação desagradável acompanhada de forte vontade de movimentar os membros.
O National Institute of Neurological Disorders and Stroke, dos NIH, descreve que os sintomas costumam começar ou piorar durante períodos de repouso, como ao ficar sentado ou deitado, tendem a ser mais intensos à noite e apresentam melhora temporária com o movimento.

Que tipo de sensação pode aparecer nas pernas?
Nem todas as pessoas descrevem o problema da mesma forma. O incômodo pode ser difícil de explicar e nem sempre é exatamente uma dor.
Entre as sensações relatadas estão:
- formigamento ou sensação de algo se movimentando nas pernas;
- puxões ou inquietação interna;
- ardor ou desconforto;
- necessidade intensa de mexer ou esticar as pernas;
- alívio enquanto a pessoa caminha ou movimenta os membros.
Esse padrão pode dificultar permanecer sentado por muito tempo e, principalmente, atrapalhar o início e a manutenção do sono. É possível conhecer melhor os sintomas da síndrome das pernas inquietas.
O que pode ajudar quando os sintomas são leves?
Algumas mudanças de rotina podem proporcionar alívio em quadros leves. Manter horários regulares para dormir, fazer movimentos ou alongamentos suaves e evitar permanecer imóvel por longos períodos são estratégias utilizadas por algumas pessoas.
A cafeína também merece atenção. Café, energéticos, alguns chás e outras fontes de cafeína podem piorar os sintomas em determinadas pessoas. Reduzir o consumo, principalmente no fim do dia, pode ajudar a identificar se existe relação.
O NINDS também cita atividade física moderada, massagem, banho morno e manutenção de uma rotina regular de sono entre as medidas que podem proporcionar algum alívio.
O ferro pode estar relacionado?
Níveis baixos de ferro estão associados à síndrome das pernas inquietas em algumas pessoas, e a investigação pode incluir exames como ferritina e saturação de transferrina. Isso não significa, porém, que qualquer pessoa com esse tipo de desconforto deva começar a tomar ferro.
Suplementos de ferro não devem ser iniciados por conta própria. O excesso de ferro também pode ser prejudicial, e a necessidade de reposição deve ser definida de acordo com exames e avaliação profissional.

Quando vale procurar avaliação?
É recomendável procurar atendimento quando o desconforto acontece com frequência, começa a prejudicar o sono, causa cansaço durante o dia ou interfere em viagens, trabalho e outras situações em que é necessário permanecer sentado.
Também vale informar ao profissional todos os medicamentos utilizados, porque alguns podem desencadear ou piorar os sintomas e não devem ser interrompidos sem orientação.
Fraqueza verdadeira nas pernas, perda de sensibilidade, inchaço importante, dificuldade para caminhar ou dor persistente fora dos períodos de repouso não são características típicas de simples pernas inquietas e merecem investigação de outras causas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








