Pigarro frequente, rouquidão, tosse seca e sensação de algo preso na garganta nem sempre significam infecção ou irritação passageira. Esses sintomas também podem aparecer no refluxo laringofaríngeo, situação em que o conteúdo do estômago alcança regiões próximas à laringe e à faringe. Diferentemente do refluxo gastroesofágico clássico, ele pode ocorrer sem azia ou queimação evidente, o que torna sua identificação mais difícil.
O que acontece no refluxo laringofaríngeo?
O refluxo laringofaríngeo é associado ao retorno do conteúdo gástrico para além do esôfago, atingindo estruturas da garganta e da laringe. Como essas regiões são sensíveis, a exposição ao refluxo pode estar relacionada a sintomas persistentes, principalmente alterações da voz, pigarro e sensação de irritação.
Uma revisão publicada em 2024 sobre diagnóstico e tratamento do refluxo laringofaríngeo descreve entre as manifestações crônicas pigarro, rouquidão, tosse, sensação de bolo na garganta, dor de garganta e presença de muco. Os autores também destacam que ainda existem dificuldades para estabelecer o diagnóstico apenas pelos sintomas.
Quais sinais podem levantar a suspeita?
Ao contrário de uma irritação provocada por um resfriado, que tende a melhorar à medida que a infecção passa, os sintomas relacionados ao refluxo podem se prolongar ou reaparecer. Algumas pessoas também percebem piora depois das refeições ou ao deitar, embora esse padrão não esteja presente em todos os casos.
Os sinais que podem aparecer incluem:
- pigarro que se repete ao longo do dia;
- rouquidão ou mudanças frequentes na voz;
- tosse seca persistente;
- sensação de muco ou de algo preso na garganta;
- necessidade constante de limpar a garganta;
- desconforto ou ardor na região da garganta.

É possível ter esse tipo de refluxo sem sentir azia?
Sim. Essa é uma das características que fazem o problema passar despercebido. Azia e regurgitação são sintomas bastante associados ao refluxo gastroesofágico, mas pessoas com manifestações predominantemente na garganta podem não apresentar essas queixas típicas.
Isso também significa que a ausência de azia não confirma nem descarta refluxo laringofaríngeo. Pigarro, tosse e rouquidão podem ter outras causas, como alergias, uso excessivo da voz, infecções respiratórias, tabagismo ou alterações próprias da laringe.
Como diferenciar refluxo de uma garganta simplesmente inflamada?
Uma dor de garganta causada por uma infecção respiratória costuma surgir de forma mais aguda e pode vir acompanhada de coriza, febre, mal-estar ou outros sintomas de resfriado. No refluxo laringofaríngeo, é mais comum que predominem manifestações recorrentes ou crônicas, especialmente pigarro, tosse, rouquidão e sensação de corpo estranho.
No entanto, essa diferença não é suficiente para fazer o diagnóstico em casa. A mesma revisão científica sobre refluxo laringofaríngeo ressalta que sintomas da laringe são inespecíficos e podem ocorrer por diversas causas. Por isso, atribuir automaticamente uma rouquidão persistente ao refluxo pode atrasar a identificação do verdadeiro problema.

Quando é importante investigar os sintomas?
Pigarro ou rouquidão ocasionais podem acontecer após uma infecção, uso intenso da voz ou exposição a irritantes. Vale procurar avaliação médica quando esses sintomas persistem por semanas, aparecem repetidamente ou começam a interferir na fala, alimentação ou qualidade do sono.
Dependendo do quadro, o médico pode avaliar garganta e laringe e decidir se são necessários exames específicos para refluxo ou outras causas. Rouquidão persistente, dificuldade ou dor para engolir, perda de peso sem explicação, presença de sangue ou dificuldade para respirar precisam de avaliação médica. Também não é recomendado iniciar medicamentos para reduzir a acidez por conta própria apenas com base em pigarro ou desconforto na garganta.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Sintomas persistentes na garganta devem ser investigados para identificar corretamente a causa e definir o tratamento adequado.








