Trocar a manteiga pelo azeite de oliva pode ser uma mudança interessante para a saúde cardiovascular, especialmente quando faz parte de uma alimentação de padrão mediterrâneo. Pesquisas do projeto PREDIMED observaram que dietas enriquecidas com azeite extravirgem estiveram associadas a reduções pequenas na pressão arterial em pessoas com alto risco cardiovascular. O efeito, porém, não transforma o azeite em tratamento para hipertensão e depende do conjunto da alimentação.
O que aconteceu com a pressão de quem consumiu azeite?
Em uma análise do PREDIMED com 235 adultos de alto risco cardiovascular, a maioria com hipertensão, os pesquisadores acompanharam a pressão durante 24 horas. Após um ano, a dieta mediterrânea suplementada com azeite extravirgem apresentou redução média de aproximadamente 2,3 mmHg na pressão sistólica, enquanto o grupo de comparação teve aumento médio de 1,7 mmHg.
O ensaio clínico publicado sobre pressão arterial ambulatorial no PREDIMED também encontrou redução média de 1,2 mmHg na pressão diastólica no grupo do azeite. São mudanças modestas, mas ajudam a mostrar como um padrão alimentar mantido ao longo do tempo pode contribuir para o controle cardiovascular.
Isso significa que o azeite baixa a pressão?
É importante não interpretar esses números como um efeito garantido do azeite isoladamente. Os participantes seguiam uma dieta mediterrânea, caracterizada também por maior presença de frutas, vegetais, leguminosas, cereais, peixes e oleaginosas. Portanto, não é possível atribuir todo o resultado apenas a uma colher de azeite.
Além disso, uma análise mais ampla do PREDIMED, com 7.447 participantes acompanhados por cerca de quatro anos, encontrou pressão diastólica menor no grupo da dieta mediterrânea com azeite, mas não observou diferença significativa na pressão sistólica em comparação ao grupo controle. Isso reforça que o possível benefício é discreto e pode variar conforme o método de avaliação, o tempo de acompanhamento e as características de cada pessoa.

Por que trocar manteiga por azeite pode fazer sentido?
A diferença está principalmente no tipo de gordura. A manteiga contém proporção maior de gordura saturada, enquanto o azeite é rico em ácido oleico, uma gordura monoinsaturada. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as gorduras da alimentação sejam predominantemente insaturadas e que a ingestão de gordura saturada seja limitada.
Assim, a ideia não é simplesmente acrescentar grandes quantidades de azeite à alimentação, mas utilizá-lo para substituir fontes de gordura saturada quando isso fizer sentido. Na prática, algumas possibilidades são:
- usar azeite para temperar saladas e legumes em vez de molhos ricos em gordura saturada;
- usar pequenas quantidades de azeite no preparo de vegetais, carnes e outros alimentos;
- substituir a manteiga por azeite em algumas preparações culinárias;
- manter atenção à quantidade, porque azeite também é um alimento bastante calórico.
O azeite ajuda quem já tem pressão alta?
Ele pode fazer parte de uma alimentação voltada à saúde cardiovascular, mas não substitui outras medidas importantes. Quem tem pressão alta pode precisar controlar o consumo de sal, manter atividade física regular, cuidar do peso e utilizar medicamentos prescritos pelo médico, dependendo de cada caso.
Também não é indicado interromper ou reduzir um anti-hipertensivo porque a alimentação melhorou. A resposta da pressão depende de vários fatores, incluindo idade, genética, peso, consumo de sódio, atividade física, doenças associadas e tratamento utilizado.
A troca vale mais do que simplesmente adicionar azeite
Os estudos ajudam a colocar o azeite em perspectiva: seu benefício aparece principalmente dentro de um padrão alimentar saudável. Para quem costuma usar manteiga com frequência, substituir parte dela por azeite extravirgem pode ser uma mudança simples na qualidade das gorduras da dieta, com possível contribuição para a saúde cardiovascular ao longo do tempo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com hipertensão ou alterações frequentes da pressão devem manter acompanhamento profissional e não modificar medicamentos sem orientação.








