Muita gente associa o cheiro mais intenso do suor apenas à falta de banho ou ao uso do desodorante errado, mas a realidade é bem mais complexa. Alterações hormonais ao longo da vida, como as que ocorrem na puberdade, na gravidez e na menopausa, modificam o funcionamento das glândulas sudoríparas e a composição do suor. Entender essa dinâmica ajuda a lidar com o odor corporal de forma mais consciente e menos constrangedora.
Qual é a diferença entre glândulas écrinas e apócrinas?
O corpo humano possui dois tipos principais de glândulas sudoríparas. As écrinas estão distribuídas por quase toda a pele e produzem um suor aquoso, praticamente inodoro, cuja principal função é regular a temperatura corporal por meio da evaporação.
Já as glândulas apócrinas se concentram em áreas específicas, como axilas, virilha e região perianal. Elas secretam um líquido mais espesso, rico em proteínas e lipídios, que se torna a matéria-prima para o odor característico quando entra em contato com as bactérias da pele.
Como os hormônios influenciam o odor do suor?
As glândulas apócrinas só se tornam ativas a partir da puberdade, quando os hormônios sexuais entram em cena e passam a estimular sua secreção. Esse é o motivo pelo qual o cheiro do suor muda de forma marcante nessa fase, mesmo com hábitos de higiene inalterados.
Na gravidez e na menopausa, novas oscilações de estrogênio, progesterona e andrógenos alteram a intensidade da sudorese e a composição do suor. Isso explica por que muitas mulheres notam ondas de calor, aumento da transpiração e mudanças no odor corporal em fases específicas da vida.

O que diz um estudo científico sobre suor e microbiota da pele?
A ciência tem mostrado que o odor corporal depende muito mais das bactérias da pele do que do suor em si. Segundo o estudo Mapping axillary microbiota responsible for body odours using a culture-independent approach, publicado no periódico Microbiome e indexado no PubMed, o suor secretado pelas glândulas apócrinas é praticamente inodoro até ser decomposto por bactérias presentes na axila, como as dos gêneros Corynebacterium e Staphylococcus.
Os autores demonstraram que a composição dessa microbiota varia entre as pessoas e influencia diretamente a intensidade e as características do odor, o que ajuda a explicar por que indivíduos com hábitos de higiene semelhantes podem apresentar cheiros diferentes.
Em quais fases da vida o odor tende a mudar?
As transformações hormonais acompanham momentos bem definidos e explicam boa parte das variações no cheiro do corpo. As principais fases em que o odor costuma se intensificar incluem:
- Puberdade, quando as glândulas apócrinas são ativadas pelos hormônios sexuais e o suor passa a ter odor mais forte.
- Ciclo menstrual, com variações no cheiro em diferentes fases, especialmente próximo à ovulação.
- Gravidez, período em que o aumento do metabolismo, das mamas e das oscilações hormonais amplia a produção de suor.
- Perimenopausa e menopausa, marcadas por ondas de calor, sudorese noturna e queda do estrogênio, o que altera a composição do suor.
- Uso de contraceptivos ou terapias hormonais, que podem modificar temporariamente a intensidade do odor.
- Situações de estresse intenso, quando as glândulas apócrinas são estimuladas por hormônios como o cortisol e a adrenalina.

Higiene e roupas explicam tudo?
Cuidados de higiene e a escolha dos tecidos das roupas influenciam de forma direta a percepção do odor, mas não contam toda a história. Banhos regulares, secagem cuidadosa das axilas e uso de peças de algodão ou tecidos respiráveis ajudam a reduzir a proliferação bacteriana. Algumas medidas práticas fazem diferença:
- Trocar de roupa após atividades físicas ou dias muito quentes, evitando a permanência do suor sobre a pele.
- Priorizar tecidos naturais, que absorvem melhor a umidade e ventilam a pele.
- Manter as axilas depiladas ou aparadas, já que os pelos favorecem o acúmulo de bactérias e resíduos.
- Usar desodorantes ou antitranspirantes adequados ao tipo de pele e à intensidade da transpiração.
- Investigar sinais persistentes, como no caso de suspeita de bromidrose, condição caracterizada pelo odor corporal intenso e recorrente.
- Recorrer a soluções complementares, como as reunidas em opções de tratamento caseiro para o odor, sempre com cautela.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou dermatologista. Diante de mudanças persistentes no odor corporal, sudorese excessiva ou desconforto associado, procure orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.








