A vitamina K costuma ser lembrada pela coagulação, mas sua possível relação com a função pulmonar ganhou atenção após uma análise com cerca de 179 mil adultos. Os resultados associaram maior ingestão do nutriente a indicadores respiratórios melhores. Por ser um estudo observacional, porém, ele não permite concluir que aumentar o consumo previna doenças ou reverta uma deficiência de vitamina K.
Para que a vitamina K serve no organismo?
Esse micronutriente participa da ativação de proteínas envolvidas na coagulação do sangue e no metabolismo ósseo. Também pode atuar em proteínas presentes no tecido pulmonar e nos vasos sanguíneos. Esse possível papel ajuda a explicar o interesse científico em sua relação com a saúde respiratória, mas o mecanismo ainda não confirma um benefício clínico direto.
- A vitamina K1, chamada filoquinona, aparece principalmente em folhas e hortaliças verdes.
- As formas K2, conhecidas como menaquinonas, estão presentes em alguns alimentos fermentados e produtos de origem animal.
- A absorção intestinal melhora quando a refeição contém alguma fonte de gordura, como azeite, sementes ou abacate.
A deficiência de vitamina K pode ocorrer em situações de má absorção intestinal, doenças do fígado ou uso de certos medicamentos. Sangramentos e alterações em exames de coagulação exigem avaliação clínica. Chiado, tosse e falta de ar, isoladamente, não permitem identificar carência desse nutriente.
O que o estudo com 179 mil pessoas encontrou?
Uma pesquisa publicada em 2025 acompanhou participantes do UK Biobank e comparou o consumo alimentar com medidas respiratórias e novos diagnósticos. A maior ingestão foi relacionada a melhores resultados de FEV1 e FVC, parâmetros obtidos pela espirometria, além de melhor função pulmonar e menor incidência de DPOC.
O estudo observacional também encontrou menor incidência de DPOC entre pessoas com consumo mais alto. Em contrapartida, não houve associação com asma. O resultado não significa que o nutriente trate obstrução das vias aéreas, recupere a capacidade respiratória ou substitua medidas comprovadas, como parar de fumar e seguir o tratamento prescrito.

Por que um estudo observacional não confirma causa?
Nesse tipo de pesquisa, os cientistas registram exposições e desfechos sem distribuir participantes aleatoriamente para diferentes dietas. Quem consome mais verduras também pode praticar atividade física, fumar menos, ter maior renda ou manter um padrão alimentar mais equilibrado. Mesmo com ajustes estatísticos, parte dessas diferenças pode permanecer e influenciar a função pulmonar.
Além disso, estimativas de ingestão dependem da lembrança e do relato dos participantes. A associação também não comprova deficiência de vitamina K no grupo com resultados inferiores. Portanto, o trabalho não demonstra causalidade, não testou suplementos e não definiu uma dose capaz de prevenir DPOC, asma, chiado ou exacerbações respiratórias.
Quais alimentos ajudam a atingir a ingestão habitual?
Uma alimentação variada costuma fornecer o micronutriente sem necessidade de cápsulas. Para comparar opções, quantidades recomendadas e situações de carência, uma referência prática apresenta os alimentos ricos nesse micronutriente. As principais fontes podem entrar em saladas, refogados, sopas e acompanhamentos.
- Folhas verde-escuras, como couve, espinafre e acelga.
- Brócolis, repolho, alface e outras hortaliças.
- Óleos vegetais, em quantidades compatíveis com o restante da dieta.
- Alguns queijos, ovos e alimentos fermentados, que fornecem formas de K2.
Pessoas que usam varfarina ou outro antagonista desse nutriente não devem eliminar verduras nem alterar o consumo bruscamente. A regularidade da ingestão facilita o ajuste do medicamento. A suplementação por conta própria pode interferir no efeito anticoagulante e aumentar riscos, por isso deve ser discutida com médico e nutricionista.
Como interpretar esse achado na rotina?
Os dados reforçam uma hipótese relevante sobre alimentação e saúde respiratória, sem transformar associação em tratamento. Manter verduras no cardápio pode ajudar a cumprir as necessidades do micronutriente, mas tosse persistente, falta de ar e redução do desempenho exigem investigação. A avaliação pode incluir histórico de tabagismo, exame clínico e espirometria. Só esse conjunto diferencia deficiência de vitamina K, DPOC, asma e outras causas de alteração da função pulmonar.
Este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional. Diante de sintomas respiratórios ou dúvidas sobre anticoagulantes, procure orientação médica.









