As canetas usadas no tratamento da obesidade podem promover perda importante de peso, mas parte desse resultado pode ser perdida depois que o medicamento é interrompido. Isso não significa que todas as pessoas recuperarão todo o peso nem que seja impossível parar o tratamento. Significa que obesidade é uma condição crônica e que a estratégia de manutenção precisa ser discutida desde o início, considerando alimentação, atividade física, acompanhamento e, em alguns casos, a continuidade do medicamento.
Quanto peso pode voltar depois de parar a semaglutida?
A extensão do ensaio STEP 1 acompanhou 327 participantes depois da suspensão da semaglutida 2,4 mg. Durante 68 semanas de tratamento, o grupo que recebeu o medicamento havia perdido, em média, 17,3% do peso corporal. Um ano após a suspensão, havia recuperado 11,6 pontos percentuais, o equivalente a aproximadamente dois terços da perda anterior.
O estudo Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide, publicado em 2022 na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, também mostrou que várias melhorias cardiometabólicas caminharam novamente em direção aos valores iniciais. A análise foi exploratória e avaliou médias do grupo, portanto não permite prever exatamente o que acontecerá com cada pessoa.
Por que o peso pode aumentar novamente?
Medicamentos como a semaglutida interferem em mecanismos que regulam fome e saciedade. Quando o tratamento é retirado, esse efeito farmacológico deixa de atuar e mecanismos biológicos que favorecem o retorno do peso podem reaparecer.
Além disso, após uma perda significativa de peso, o organismo pode responder com aumento do apetite e adaptações no gasto energético. Por isso, encarar a caneta apenas como uma etapa curta para atingir determinado número na balança pode deixar de fora uma parte importante do tratamento.

O reganho acontece com todas as pessoas?
Os estudos mostram uma tendência de reganho após a retirada, mas não permitem afirmar que todas as pessoas terão a mesma resposta:
- A quantidade recuperada varia de uma pessoa para outra e as médias dos estudos não representam necessariamente um resultado individual.
- Nem todos recuperam todo o peso que perderam durante o tratamento.
- O medicamento utilizado importa, porque semaglutida, tirzepatida e outras opções não são exatamente iguais.
- Hábitos e acompanhamento após a retirada podem influenciar a manutenção, embora não eliminem necessariamente a resposta biológica favorável ao reganho.
- Tempo de tratamento e características individuais também precisam ser considerados pelo médico antes de decidir quando ou se o medicamento será interrompido.
O que deve fazer parte de um plano de manutenção?
O planejamento não deve começar apenas quando a pessoa decide suspender a caneta para emagrecer. Alguns pontos podem ser discutidos desde a prescrição:
- qual é o objetivo do tratamento e como o resultado será acompanhado;
- por quanto tempo o medicamento poderá ser necessário;
- como manter uma alimentação adequada durante e depois do emagrecimento;
- como preservar massa muscular com ingestão suficiente de proteínas e exercícios de força;
- como acompanhar mudanças de fome, peso e medidas corporais caso a dose seja reduzida ou retirada;
- qual será a conduta caso ocorra reganho significativo.
A ideia não é definir antecipadamente que o medicamento terá de ser usado para sempre, mas evitar que sua retirada seja feita sem uma estratégia para o período seguinte.
Para entender melhor como essas medicações fazem parte do tratamento da obesidade, veja também este conteúdo do Tua Saúde:
Continuar a caneta ajuda a manter o peso perdido?
Outro ensaio reforça essa diferença. No SURMOUNT-4, participantes com obesidade ou sobrepeso perderam em média 20,9% do peso após 36 semanas com tirzepatida. Nas 52 semanas seguintes, aqueles que passaram para placebo recuperaram em média 14% do peso a partir do momento da retirada, enquanto quem continuou usando o medicamento perdeu mais 5,5%.
Isso não significa que toda pessoa precise permanecer indefinidamente com uma caneta, mas reforça por que a duração faz parte da decisão terapêutica. O tratamento da obesidade deve considerar benefícios, efeitos colaterais, custo, disponibilidade e risco de reganho. A interrupção, redução da dose ou troca do medicamento deve ser discutida com o médico, principalmente quando houver aumento importante de peso ou outras condições de saúde associadas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico individualizado.








