Não. Compartilhar lanceta do aparelho de glicose nunca é seguro, mesmo entre pessoas da mesma família. Isso acontece porque a pequena agulha utilizada para furar o dedo entra em contato direto com o sangue e pode transmitir infecções. Mesmo que a lanceta pareça limpa ou tenha sido usada apenas uma vez, ela deve ser descartada após cada medição. Entenda quais materiais precisam ser individuais e o que fazer caso o compartilhamento já tenha acontecido.
Quais são os riscos de compartilhar lanceta?
A lanceta pode carregar pequenas quantidades de sangue, mesmo quando não existem resíduos visíveis. Ao compartilhar esse material, outra pessoa pode entrar em contato com agentes infecciosos, incluindo os vírus das hepatites B e C e do HIV.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os dispositivos usados para furar o dedo nunca devem ser compartilhados. O fato de as pessoas morarem juntas ou não apresentarem sintomas não elimina o risco de transmissão.

A lanceta e o aparelho medidor são a mesma coisa?
Não. A lanceta é a pequena agulha descartável que perfura a pele, enquanto o glicosímetro é o aparelho que analisa a gota de sangue colocada na tira reagente e apresenta o resultado da glicemia.
O lancetador, dispositivo que segura e aciona a lanceta, também deve ser de uso individual, mesmo quando a agulha é trocada. O glicosímetro doméstico deve ser reservado a uma única pessoa, pois também pode ser contaminado com sangue. Saiba mais sobre como medir a glicemia capilar corretamente.
O que uma revisão científica mostrou sobre o compartilhamento?
A revisão científica Eliminating the Blood: Ongoing Outbreaks of Hepatitis B Virus Infection and the Need for Innovative Glucose Monitoring Technologies, publicada em 2009 no Journal of Diabetes Science and Technology, analisou surtos de hepatite B associados ao monitoramento inadequado da glicose nos Estados Unidos.
Os pesquisadores identificaram 18 surtos investigados desde 1990, envolvendo pelo menos 147 pessoas infectadas. Entre as principais falhas estavam o uso de dispositivos de punção em diferentes pacientes e o compartilhamento de medidores sem desinfecção adequada. Os casos ocorreram em ambientes de assistência à saúde e reforçam a importância do uso individual dos materiais.
Como usar a lanceta com segurança?
Para reduzir o risco de infecções durante a medição da glicose, é importante adotar alguns cuidados simples com os materiais e a higiene:
- Utilize uma lanceta nova e estéril em cada medição.
- Nunca empreste a lanceta ou o lancetador, mesmo para familiares.
- Lave e seque bem as mãos antes de realizar o teste.
- Utilize uma tira reagente nova e compatível com o aparelho.
- Limpe o glicosímetro conforme as orientações do fabricante.
- Descarte as lancetas usadas em um coletor apropriado para materiais perfurocortantes.
Evite jogar lancetas soltas no lixo doméstico, pois elas podem provocar acidentes em outras pessoas. Informe-se na unidade de saúde sobre os locais adequados para o descarte.

O que fazer se uma lanceta já foi compartilhada?
Se você ou um familiar utilizou uma lanceta que já havia sido usada por outra pessoa, procure imediatamente um serviço de saúde para avaliar a possível exposição ao sangue. Não espere aparecerem sintomas, pois algumas infecções podem permanecer silenciosas por bastante tempo.
Durante o atendimento, algumas informações podem ajudar o profissional de saúde a definir os próximos cuidados:
- Informe quando aconteceu o compartilhamento e quantas vezes ele ocorreu.
- Explique se a mesma lanceta ou o mesmo lancetador foi utilizado.
- Informe, quando possível, a situação vacinal contra a hepatite B.
- Siga as orientações sobre exames, vacinação e acompanhamento.
Dependendo da avaliação, podem ser indicadas medidas preventivas após a exposição. Em situações com risco de transmissão do HIV, por exemplo, a profilaxia pós-exposição deve ser iniciada o mais rapidamente possível, quando indicada, dentro de 72 horas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








