Oliver Bogler ignorou por meses alterações na mama direita por não considerá-las sérias. Durante uma viagem de rafting em Idaho, nos Estados Unidos, ele retirou o colete salva-vidas e percebeu uma mancha na camiseta, provocada por secreção mamilar. Também havia notado um caroço atrás do mamilo. A publicação sobre Oliver Bogler, feita em 2013, mostrou que o diagnóstico era câncer de mama masculino.
Os sinais foram considerados pouco importantes
A secreção mamilar persistiu antes da procura por atendimento. Segundo a publicação, Bogler relutou em mencionar o problema por receio de parecer exagerado. Essa percepção pode atrasar a consulta porque muitas pessoas associam alterações mamárias apenas às mulheres. Homens também possuem tecido mamário, embora em quantidade menor, e podem desenvolver tumores nessa região.
Um caroço atrás do mamilo merece atenção, sobretudo quando acompanhado por líquido, mudança na pele ou alteração no formato da mama. O autoexame não substitui consulta nem rastreamento indicado pelo médico, mas ajuda a perceber alterações persistentes. Apertar repetidamente o mamilo para testar a saída de líquido pode irritar a região e não esclarece a causa.
A consulta levou à investigação imediata
Depois que Bogler procurou atendimento, o médico recomendou mamografia e biópsia. A mamografia produz imagens do tecido mamário com raios X. Já a biópsia retira uma pequena amostra para análise e permite verificar se existem células cancerosas. O conjunto levou ao diagnóstico de câncer de mama masculino.
A massa retroareolar, localizada atrás da aréola, é uma apresentação que pode levantar suspeita clínica em homens. A secreção mamilar aumenta a necessidade de investigação, mas não significa câncer por si só. Infecções, alterações dos ductos e efeitos hormonais também podem causar sintomas, por isso a avaliação por imagem e o exame do tecido têm funções diferentes e complementares.

O que acontece no câncer de mama masculino?
O tumor surge quando células do tecido mamário acumulam alterações e passam a se multiplicar sem o controle normal do organismo. Ele pode começar nos ductos mamários, pequenos canais presentes também no peito masculino. Como há pouco tecido nessa área e não existe rastreamento rotineiro para a maioria dos homens, um nódulo pode demorar a ser reconhecido como sinal mamário.
Uma revisão publicada em 2025 reuniu informações sobre fatores de risco e desafios diagnósticos, destacando o atraso diagnóstico e risco genético. A mutação BRCA2 é uma alteração hereditária capaz de elevar o risco de alguns tumores, inclusive o câncer de mama masculino. Isso não significa que todo paciente tenha mutação BRCA2, nem que todo portador desenvolverá a doença. O histórico pessoal e familiar orienta se há indicação de aconselhamento e teste genético.
Quais sinais de alerta podem ser reconhecidos?
A observação das mamas pode ocorrer durante o banho ou ao trocar de roupa, sem apertar ou manipular excessivamente o tecido. O autoexame serve para conhecer o aspecto habitual, não para confirmar uma doença. Mudanças novas, unilaterais ou persistentes devem ser descritas na consulta, incluindo há quanto tempo começaram e se estão evoluindo.
- Caroço firme no peito, principalmente atrás ou próximo do mamilo.
- Secreção com sangue, transparente ou espontânea, sobretudo em um lado.
- Retração do mamilo, quando ele passa a ficar voltado para dentro.
- Ferida, descamação, vermelhidão ou espessamento da pele da mama.
- Nódulo na axila, região que contém linfonodos, pequenas estruturas do sistema de defesa.
A mamografia pode ser solicitada diante desses achados, muitas vezes junto à ultrassonografia, exame que usa ondas sonoras para produzir imagens. Dor isolada tem várias causas e nem sempre indica tumor. Porém, dor acompanhada de nódulo, secreção mamilar ou mudança da pele precisa de avaliação profissional.
Como são definidos o tratamento e o prognóstico?
O plano depende do tamanho e das características do tumor, da possível extensão para outros tecidos e do estado geral do paciente. A biópsia ajuda a identificar propriedades das células, enquanto exames adicionais avaliam a região. Para uma visão organizada de sintomas e exames nos homens, é útil comparar os sinais percebidos com os critérios usados na investigação clínica.
- Cirurgia para retirar o tumor e, conforme a avaliação, tecido mamário e linfonodos próximos.
- Radioterapia, que utiliza radiação direcionada para destruir células tumorais na área tratada.
- Tratamento hormonal quando as células dependem de hormônios para crescer.
- Quimioterapia ou terapias direcionadas, escolhidas conforme o perfil e a extensão da doença.
- Aconselhamento genético quando o histórico ou o diagnóstico justificam investigar mutação BRCA2 e outros genes.
O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento antes que a doença avance. O autoexame pode favorecer a percepção de mudanças, mas não substitui mamografia, biópsia ou acompanhamento. A escolha terapêutica é individual e um resultado observado em uma pessoa não prevê a resposta de outra.
O que se sabe após o diagnóstico
A fonte consultada informa que Bogler recebeu o diagnóstico depois da mamografia e da biópsia, mas o trecho disponível não detalha o tratamento nem sua evolução posterior. Assim, não é possível afirmar quais procedimentos foram realizados ou qual foi o resultado clínico. A experiência individual também não define o curso esperado do câncer de mama masculino.
Secreção mamilar espontânea, caroço atrás do mamilo, retração, ferida que não cicatriza ou nódulo na axila justificam avaliação. O mesmo vale para alterações percebidas no autoexame que persistem ou aumentam. A consulta permite examinar o tecido, decidir se a mamografia é necessária e discutir investigação genética quando houver possibilidade de mutação BRCA2.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.









