O desejo por uma pele bronzeada durante o ano inteiro levou muitas pessoas a procurarem câmaras de bronzeamento no passado, mas essa prática é proibida no Brasil há mais de uma década. A decisão da Anvisa foi baseada em evidências científicas robustas que comprovam o aumento significativo do risco de câncer de pele. Entender o motivo por trás da proibição ajuda a proteger sua saúde e a reconhecer os perigos de burlar essa regra.
O que diz a resolução da Anvisa sobre bronzeamento artificial?
A Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 56, publicada em novembro de 2009, proíbe em todo o território nacional o uso, a importação, a doação, o aluguel e a comercialização de câmaras de bronzeamento artificial com finalidade estética baseadas em radiação ultravioleta.
A norma segue vigente e não permite exceções para uso estético, sendo aplicável apenas a equipamentos destinados a tratamentos médicos ou odontológicos sob supervisão profissional. Estabelecimentos que descumprem a regra estão sujeitos a sanções sanitárias.
Por que o bronzeamento artificial é tão perigoso?
As câmaras de bronzeamento emitem radiação ultravioleta em concentrações muito superiores às do sol, provocando danos ao DNA das células da pele em pouco tempo de exposição. Esse dano cumulativo aumenta o risco de câncer de pele, envelhecimento precoce, manchas e queimaduras graves.
Além disso, a exposição intensa à radiação UV compromete o sistema imunológico da pele e favorece o surgimento de lesões pré-malignas. Os efeitos costumam aparecer anos após o uso, o que torna o perigo silencioso e ainda mais preocupante.

Como um estudo científico comprova o risco aumentado de melanoma
A base científica que sustenta a proibição vem de investigações internacionais rigorosas sobre o tema. Segundo a meta-análise Cutaneous melanoma attributable to sunbed use publicada na revista British Medical Journal, o uso de câmaras de bronzeamento está associado a um aumento de 20% no risco de desenvolver melanoma, com risco ainda maior quando o primeiro uso ocorre antes dos 35 anos.
Os autores analisaram 27 estudos e reforçaram a classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, ligada à OMS, que considera a radiação ultravioleta emitida por essas câmaras como cancerígena para humanos. A Sociedade Brasileira de Dermatologia e o Instituto Nacional de Câncer apoiam integralmente a proibição no Brasil.
Quais são os principais riscos à saúde?
Os efeitos do bronzeamento artificial vão muito além do risco de melanoma e podem comprometer diversas funções da pele e do organismo. Conheça os danos mais frequentes associados à prática:
- Melanoma cutâneo, tipo mais agressivo de câncer de pele, com potencial de metástase para outros órgãos
- Carcinoma basocelular e espinocelular, tipos não melanoma que também exigem tratamento cirúrgico
- Envelhecimento precoce, com aparecimento de rugas, flacidez e manchas antes do tempo
- Queimaduras solares, com bolhas, descamação e dor intensa
- Lesões oculares, incluindo catarata precoce e queimaduras na córnea
- Enfraquecimento do sistema imunológico da pele, favorecendo infecções e outros danos provocados pela radiação ultravioleta

Como se bronzear com segurança?
Já que o bronzeamento artificial estético é proibido e representa risco comprovado à saúde, existem alternativas mais seguras para quem deseja mudar o tom da pele. As opções recomendadas por dermatologistas incluem:
- Usar autobronzeadores tópicos à base de DHA, disponíveis em cremes, sprays e loções
- Recorrer ao jet bronze ou bronzeamento com spray aplicado por profissional habilitado
- Aproveitar o sol com moderação, sempre antes das 10 horas ou após as 16 horas
- Aplicar protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, reaplicando a cada duas horas
- Utilizar chapéus, óculos de sol e roupas com proteção UV em exposições prolongadas
- Consultar um dermatologista para avaliação periódica de pintas e manchas, especialmente se houver histórico familiar de melanoma maligno
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer alteração na pele, procure um dermatologista de sua confiança.








