Ver o tornozelo escurecer com o passar dos anos costuma ser interpretado como um efeito natural da idade, mas na maioria das vezes a causa é uma insuficiência venosa crônica não tratada. Essas manchas amarronzadas, conhecidas como dermatite ocre, surgem quando o sangue represado nas veias das pernas rompe pequenos vasos e libera pigmentos que se depositam na pele. Reconhecer esse sinal precoce é fundamental para evitar a progressão para úlceras venosas, feridas de difícil cicatrização que comprometem a qualidade de vida.
O que é insuficiência venosa crônica?
A insuficiência venosa crônica ocorre quando as válvulas das veias das pernas param de funcionar corretamente, dificultando o retorno do sangue ao coração. O sangue se acumula nos membros inferiores, aumenta a pressão dentro dos vasos e provoca alterações visíveis na pele.
Além do escurecimento nos tornozelos, é comum sentir peso, cansaço, inchaço e formigamento nas pernas ao fim do dia. Muitas vezes o quadro está associado a varizes visíveis, mas pode existir mesmo sem elas.
Por que aparecem manchas escuras nos tornozelos?
A hipertensão dentro das veias faz com que as hemácias, células vermelhas do sangue, extravasem para a pele. Ao se degradarem, liberam hemossiderina, um pigmento rico em ferro que se deposita nos tecidos e dá origem à coloração marrom característica.
Esse quadro é chamado de dermatite ocre ou dermatite de estase, geralmente localizado ao redor do tornozelo e na parte inferior da perna. É um sinal de que a doença venosa já está em estágio avançado e exige avaliação especializada.

Quais os sinais de que a insuficiência venosa está avançando?
Alguns sinais indicam que o quadro deixou de ser leve e precisa de tratamento imediato para evitar complicações mais graves. Fique atento a:
- Manchas marrons ou arroxeadas: ao redor dos tornozelos e na parte inferior das pernas.
- Inchaço persistente: que piora ao fim do dia e não some totalmente pela manhã.
- Pele ressecada, descamativa ou com coceira: especialmente na região das manchas.
- Endurecimento da pele: aspecto lenhoso, chamado lipodermatoesclerose.
- Áreas esbranquiçadas: pequenos pontos claros dentro das manchas escuras, sinal de atrofia branca.
- Feridas de difícil cicatrização: especialmente próximas ao maléolo interno do tornozelo.
- Sensação de peso e queimação: que piora com longos períodos em pé ou sentado.
O que diz o estudo científico sobre a origem das manchas?
A relação entre insuficiência venosa e alterações pigmentares na pele é bem estabelecida na literatura médica e explica por que essas manchas não devem ser encaradas como um problema apenas estético. Segundo o estudo The nature of skin pigmentations in chronic venous insufficiency, publicado no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, a hiperpigmentação nas pernas de pacientes com doença venosa está diretamente relacionada ao depósito de melanina e hemossiderina na derme, sendo a hemossiderina especialmente associada à evolução para lipodermatoesclerose e úlceras venosas.
Sociedades brasileiras de angiologia e dermatologia reforçam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da doença venosa reduzem significativamente o risco de complicações cutâneas graves e irreversíveis.

Quando procurar ajuda médica?
A avaliação com angiologista, cirurgião vascular ou dermatologista é essencial ao primeiro sinal de alteração na cor da pele das pernas. Procure atendimento nas seguintes situações:
- Aparecimento de manchas marrons ou arroxeadas ao redor dos tornozelos.
- Inchaço persistente nas pernas ao fim do dia.
- Piora da coceira, ressecamento ou descamação na região afetada.
- Endurecimento ou afinamento da pele nas pernas.
- Aparecimento de feridas que não cicatrizam em algumas semanas.
- Histórico pessoal ou familiar de varizes, trombose ou úlcera venosa.
- Dor intensa, calor local ou sinais de infecção na pele afetada.
O tratamento pode incluir uso de meias de compressão, medicamentos venotônicos, cuidados dermatológicos específicos e, em alguns casos, procedimentos como escleroterapia, laser ou cirurgia. Manter o peso adequado, movimentar as pernas ao longo do dia e elevar os membros ao repouso são medidas simples que ajudam a controlar o quadro e prevenir a progressão da doença.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas, procure orientação médica.









