Rachadura no canto da boca que persiste por dias, arde ao abrir a boca e volta mesmo com hidratante labial merece atenção. Esse tipo de lesão pode estar ligado a inflamação da mucosa, saliva acumulada na comissura labial, infecção local e também a deficiência vitamínica, sobretudo quando há baixa ingestão ou absorção ruim de nutrientes do complexo B.
Quando a ferida no canto da boca deixa de ser só ressecamento?
A irritação simples costuma melhorar com proteção labial e redução de agressões locais, como frio intenso, hábito de lamber os lábios ou contato com cosméticos irritantes. Já a queilite angular tende a formar fissura na comissura, com vermelhidão, dor, crosta e desconforto para falar, sorrir ou mastigar.
Quando a rachadura no canto da boca não cicatriza, aparece dos dois lados ou volta com frequência, o quadro pede investigação clínica. Nesses casos, além de fungos e bactérias, entram na avaliação fatores como anemia, próteses mal ajustadas, diabetes, imunidade baixa e carência de vitaminas.
Qual é a relação entre complexo B e queilite angular?
As vitaminas do complexo B, especialmente B2, B6, B9 e B12, participam da renovação da mucosa oral, da formação de células sanguíneas e do equilíbrio tecidual. Quando há carência, a boca pode dar sinais antes de outros sintomas mais amplos, com ardência, língua inflamada, aftas recorrentes e fissuras persistentes nos cantos labiais.
Uma pesquisa publicada em 2026 reuniu evidências sobre manifestações orais ligadas à falta de vitaminas e destacou a presença de queilite angular em carências do complexo B, além de glossite e aftas. Isso não significa que toda ferida seja causada por vitamina baixa, mas mostra que a deficiência vitamínica faz parte do diagnóstico diferencial quando a lesão se arrasta.

Quais sinais costumam acompanhar a deficiência vitamínica?
Quando a rachadura no canto da boca aparece junto de outros sintomas, a suspeita de carência nutricional ganha força. O conjunto varia conforme a vitamina envolvida e o estado geral da pessoa.
- língua dolorida ou lisa demais
- palidez e cansaço fora do habitual
- aftas recorrentes
- ardor na boca ao comer alimentos ácidos
- queda de cabelo e unhas frágeis em alguns casos
- formigamento, mais lembrado na falta de B12
Além disso, anemia por deficiência de ferro pode coexistir com alterações de B9 e B12. No portal Tua Saúde, há uma explicação útil sobre as causas da ferida no canto da boca, incluindo sinais que ajudam a diferenciar irritação passageira de um problema que precisa de avaliação.
O que mais pode causar queilite angular?
A queilite angular tem origem multifatorial. Isso quer dizer que a lesão pode surgir pela soma de umidade excessiva na comissura, perda de dimensão da mordida, uso de prótese, infecção por Candida, colonização bacteriana e condições metabólicas. Outra investigação clínica apontou a participação de carências de ferro, B9 e B12 em quadros de queilite, junto de outros fatores locais.
Algumas situações merecem atenção especial:
- prótese dentária mal adaptada
- salivação noturna e hábito de lamber os lábios
- uso prolongado de antibióticos ou corticoides inalatórios
- diabetes com controle ruim
- anemia e distúrbios de absorção intestinal
- pele muito irritada por produtos labiais
Como investigar e tratar sem mascarar o problema?
O tratamento depende da causa. Se houver suspeita de deficiência vitamínica, o profissional pode solicitar hemograma, ferritina, vitamina B12, folato e outros exames conforme a história clínica. Também avalia alimentação, uso de medicamentos, perda de peso, sintomas intestinais e presença de inflamação na língua ou em outras áreas da mucosa.
Pomadas podem aliviar, mas não resolvem sozinhas quando existe infecção, anemia ou absorção inadequada de nutrientes. Rachadura no canto da boca com recorrência exige correção do fator de base, ajuste de prótese quando necessário e reposição orientada, já que excesso de suplemento também pode atrapalhar o cuidado.
Quando procurar avaliação médica?
Se a lesão dura mais de uma a duas semanas, sangra, forma crostas repetidas, impede a alimentação ou vem acompanhada de perda de peso, cansaço intenso, palidez e dor na língua, a avaliação deve ser antecipada. Em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida, a observação precisa ser ainda mais cuidadosa.
Persistência, recorrência e sinais na mucosa oral ajudam a diferenciar um simples ressecamento de um quadro inflamatório com possível impacto nutricional e hematológico. Nessa situação, identificar cedo a deficiência vitamínica e outras causas da queilite angular evita que a fissura siga abrindo, infeccione e se torne um problema repetitivo.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.









