Um desconforto persistente no lado direito da barriga, principalmente abaixo das costelas, pode aparecer em algumas pessoas com gordura no fígado, embora a condição seja silenciosa na maior parte dos casos. O sintoma costuma ser inespecífico e pode ser confundido com gases, má digestão ou problemas da vesícula. Por isso, sentir dor ou peso nessa região não confirma esteatose hepática, e exames são necessários para descobrir a verdadeira causa.
Por que a gordura no fígado costuma passar despercebida?
A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. Atualmente, muitos casos relacionados a alterações metabólicas são classificados como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD.
O problema é que o fígado pode acumular gordura sem provocar sinais perceptíveis durante bastante tempo. Por isso, muitas pessoas descobrem a alteração por acaso durante exames de rotina, investigação de enzimas hepáticas alteradas ou exames de imagem solicitados por outro motivo.
Como pode ser o desconforto do lado direito da barriga?
Quando existem sintomas, algumas pessoas relatam peso, pressão, sensibilidade ou desconforto na parte superior direita do abdômen, região onde o fígado está localizado. Esse padrão é diferente de uma dor específica o suficiente para permitir o diagnóstico, pois os sintomas de esteatose hepática podem ser discretos e pouco específicos.
Além disso, desconfortos semelhantes podem ocorrer por gases, alterações intestinais, problemas musculares, doenças da vesícula e outras condições digestivas. Assim, não é possível concluir que existe gordura no fígado apenas pela localização da dor.

Quais fatores aumentam a suspeita de esteatose?
O desconforto merece mais atenção quando aparece junto a características associadas ao maior risco metabólico:
- excesso de peso ou obesidade, especialmente com maior acúmulo de gordura abdominal;
- diabetes tipo 2 ou resistência à insulina;
- triglicerídeos ou colesterol alterados;
- pressão arterial elevada;
- sedentarismo e alimentação rica em produtos ultraprocessados;
- alterações anteriores em exames do fígado;
- consumo de álcool, que também precisa ser avaliado ao investigar doença hepática.
Ter um ou mais desses fatores não significa necessariamente que a pessoa tenha esteatose. A diabetes tipo 2, a obesidade e outras alterações metabólicas apenas aumentam a probabilidade e ajudam o médico a decidir quando é necessário aprofundar a investigação.
Quais exames podem confirmar gordura no fígado?
A investigação pode incluir diferentes exames, escolhidos de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada pessoa:
- exames de sangue para avaliar enzimas hepáticas e alterações metabólicas;
- ultrassonografia abdominal para identificar sinais compatíveis com acúmulo de gordura;
- elastografia hepática em situações selecionadas para avaliar a rigidez do fígado e o risco de fibrose;
- escores clínicos calculados com exames laboratoriais para estimar o risco de fibrose;
- ressonância magnética ou outros métodos quando uma avaliação mais detalhada é necessária.
É importante lembrar que enzimas hepáticas normais não excluem necessariamente a doença. A avaliação médica combina sintomas, histórico, fatores metabólicos, exames laboratoriais e métodos de imagem para determinar se existe esteatose e se há sinais de comprometimento mais avançado.

O que os estudos mostram sobre o diagnóstico da gordura no fígado?
A necessidade de investigar a doença mesmo quando os sintomas são discretos é reforçada pela literatura científica. Segundo as EASL-EASD-EASO Clinical Practice Guidelines on the Management of Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease, publicadas no Journal of Hepatology, a avaliação de pessoas com risco de MASLD deve considerar fatores metabólicos e métodos não invasivos para identificar especialmente aqueles com maior risco de fibrose.
Isso reforça que um desconforto no lado direito da barriga pode servir como motivo para investigar, mas não como prova de gordura no fígado. A esteatose frequentemente não causa sintomas claros e exige avaliação adequada para diferenciá-la de outras causas de dor abdominal. Dor intensa, febre, pele ou olhos amarelados, vômitos persistentes ou piora rápida do quadro exigem atenção. Diante de sintomas recorrentes ou fatores de risco, é recomendado buscar orientação médica profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









