A relação entre anti-inflamatório e pressão merece atenção, principalmente em quem já tem hipertensão. Alguns anti-inflamatórios não esteroides podem favorecer retenção de sódio e líquidos e dificultar o efeito de medicamentos usados para baixar a pressão, fazendo os valores subirem durante o tratamento.
Por que o anti-inflamatório pode aumentar a pressão
Anti-inflamatórios como ibuprofeno e naproxeno reduzem substâncias que também participam da regulação do fluxo sanguíneo nos rins. Em pessoas suscetíveis, isso pode diminuir a eliminação de sódio, favorecer retenção de líquido e contribuir para o aumento da pressão arterial.
A American Heart Association inclui os anti-inflamatórios não esteroides entre as substâncias capazes de elevar a pressão e recomenda que pessoas hipertensas consultem médico ou farmacêutico antes de usar medicamentos vendidos sem receita.
Estudo encontrou diferenças entre anti-inflamatórios

Segundo o ensaio clínico PRECISION-ABPM, publicado no European Heart Journal, 444 pacientes com artrite e risco cardiovascular receberam celecoxibe, ibuprofeno ou naproxeno e tiveram a pressão monitorada por 24 horas.
Após quatro meses, a pressão sistólica média aumentou 3,7 mmHg com ibuprofeno e 1,6 mmHg com naproxeno, enquanto houve pequena redução com celecoxibe. O resultado mostra que o efeito sobre a pressão pode variar conforme o medicamento e reforça a necessidade de individualizar o tratamento.
Quem precisa ter mais cuidado
O risco não é igual para todas as pessoas. O acompanhamento merece atenção especial quando o uso é frequente ou existem condições que tornam o organismo mais sensível aos efeitos renais e cardiovasculares.
- pessoas com pressão alta já diagnosticada;
- quem usa medicamentos anti-hipertensivos ou diuréticos;
- pessoas com doença renal, insuficiência cardíaca ou outras doenças cardiovasculares;
- quem percebe inchaço nas pernas ou aumento da pressão após iniciar o anti-inflamatório;
- quem precisa usar esses medicamentos por vários dias ou repetidamente.
Para entender melhor como acompanhar os valores e o tratamento, veja também as principais orientações sobre pressão alta.

O que fazer se a pressão subir
Uma elevação após começar o medicamento não confirma sozinha que ele seja a causa, mas deve ser comunicada ao profissional que acompanha o tratamento. Algumas atitudes ajudam a fazer essa avaliação com mais segurança:
- medir a pressão em repouso e registrar os resultados;
- anotar o nome, a dose e há quanto tempo usa o anti-inflamatório;
- observar inchaço, falta de ar ou ganho rápido de peso;
- conversar com médico ou farmacêutico sobre possíveis alternativas;
- não alterar o anti-hipertensivo nem suspender tratamentos prescritos por conta própria.
Procure atendimento mais rapidamente se houver pressão muito elevada acompanhada de dor no peito, falta de ar, alteração da fala, confusão, perda de força ou outros sintomas intensos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico.









