A queda de cabelo persistente costuma ser atribuída apenas ao estresse do dia a dia, mas essa explicação nem sempre é completa. Em muitos casos, o afinamento e a perda excessiva dos fios estão relacionados a duas causas silenciosas e frequentes, a ferritina baixa e alterações na tireoide. Exames de sangue simples ajudam a identificar esses desequilíbrios e permitem um tratamento direcionado, capaz de reverter o quadro quando a causa é corretamente diagnosticada.
Por que a ferritina baixa provoca queda de cabelo?
A ferritina é a proteína responsável por armazenar ferro no organismo, e o ferro é essencial para a oxigenação e a divisão celular do folículo piloso. Quando os estoques ficam reduzidos, o corpo prioriza órgãos vitais e deixa a raiz do cabelo com menos suporte para crescer.
Valores abaixo de 40 ng/mL já podem interferir no ciclo capilar e favorecer o chamado eflúvio telógeno crônico. Nesse quadro, mais fios entram precocemente na fase de repouso e caem semanas depois, gerando afinamento difuso e persistente.
Como a tireoide influencia a saúde dos fios?
Os hormônios da tireoide regulam o metabolismo de todas as células do corpo, incluindo as do folículo capilar. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo alteram o ciclo natural do cabelo e podem provocar queda difusa, fios mais finos e crescimento lento.
Muitos sintomas de hipotireoidismo aparecem de forma gradual e são confundidos com cansaço comum, o que atrasa o diagnóstico. Por isso, exames como TSH e T4 livre são fundamentais para avaliar a função tireoidiana quando há perda capilar sem causa aparente.

Como um estudo científico comprova a relação entre ferritina e queda capilar?
A associação entre reservas de ferro e perda de cabelo tem sido reforçada por análises clínicas de grande porte em serviços de dermatologia. Segundo o estudo retrospectivo Retrospective Review of 2851 Female Patients With Telogen Effluvium publicado na revista Journal of Cosmetic Dermatology, ferritina, vitamina B12, TSH e T3 alterados foram identificados como fatores biológicos relevantes em mulheres com eflúvio telógeno.
Os autores concluem que exames bioquímicos, hemograma e testes hormonais são ferramentas importantes para investigar a origem da queda difusa e orientar o tratamento correto conforme a fase de vida da paciente.
Quais exames ajudam a investigar a queda de cabelo?
Quando a perda dos fios é intensa, prolongada ou vem acompanhada de outros sintomas, o médico costuma solicitar uma bateria de exames laboratoriais para identificar deficiências e desequilíbrios hormonais. Os principais são:
- Hemograma completo, que avalia sinais de anemia e alterações gerais no sangue;
- Ferritina sérica, indicador precoce das reservas de ferro do organismo;
- Ferro sérico e saturação de transferrina, para complementar a avaliação do metabolismo do ferro;
- TSH e T4 livre, principais marcadores da função tireoidiana;
- Vitamina D e vitamina B12, nutrientes ligados ao ciclo capilar;
- Zinco sérico, mineral envolvido no crescimento e na resistência dos fios.
A interpretação dos resultados deve ser sempre feita por um profissional, já que valores considerados normais em outros contextos podem ser insuficientes para a saúde dos cabelos, como no caso da queda de cabelo feminina.

Quais hábitos ajudam a fortalecer os fios durante o tratamento?
Além da investigação clínica, alguns cuidados diários apoiam a recuperação capilar e potencializam os efeitos do tratamento indicado pelo médico. Veja as principais recomendações:
- Consuma alimentos ricos em ferro, como carnes magras, feijão, lentilha e vegetais verde-escuros;
- Combine fontes de ferro com vitamina C, presente em frutas cítricas, para melhorar a absorção do mineral;
- Inclua proteínas em todas as refeições, já que o fio é formado majoritariamente por queratina;
- Evite dietas muito restritivas sem acompanhamento nutricional, que agravam deficiências;
- Reduza o uso de calor excessivo em chapinhas, secadores e produtos químicos agressivos;
- Cuide do sono e do estresse, que também influenciam diretamente o ciclo capilar.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Diante de queda de cabelo persistente ou sintomas associados, busque orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados.









