Ter orgasmo e perceber que sai pouco ou nenhum sêmen pode acontecer quando o líquido seminal segue para a bexiga em vez de sair pela uretra. Essa alteração, chamada ejaculação retrógrada, pode provocar a chamada ejaculação seca e costuma estar relacionada a medicamentos, cirurgias ou alterações nos nervos.
O que é ejaculação seca
Na ejaculação retrógrada, o músculo que normalmente fecha a entrada da bexiga durante o orgasmo não funciona adequadamente. Assim, parte ou todo o sêmen entra na bexiga, embora o homem geralmente continue tendo ereção e sentindo o orgasmo.
Além do volume muito pequeno ou ausente de sêmen, a urina pode ficar turva após a relação sexual. Segundo a Mayo Clinic, a ejaculação retrógrada normalmente não é prejudicial à saúde, mas pode interferir na fertilidade.
Quais remédios podem alterar a ejaculação

Alguns medicamentos interferem no funcionamento dos músculos e nervos envolvidos na saída do sêmen. Entre os grupos associados a alterações ejaculatórias estão:
- alfabloqueadores, usados principalmente para próstata aumentada e, em alguns casos, pressão alta;
- alguns antidepressivos;
- medicamentos que atuam sobre o sistema nervoso e podem modificar o mecanismo da ejaculação.
Quando a mudança começa após iniciar ou ajustar um remédio, o médico deve ser informado. Não é recomendado interromper o tratamento por conta própria, pois pode ser necessário apenas ajustar a dose ou considerar outra opção.
Quais cirurgias aumentam o risco
Procedimentos que alteram a próstata, a bexiga ou os nervos próximos podem modificar de forma temporária ou permanente a direção do sêmen. Entre as situações relacionadas estão:
- cirurgias da próstata, incluindo alguns procedimentos para hiperplasia prostática;
- cirurgias no colo da bexiga;
- remoção de linfonodos no abdômen para tratamento de alguns cânceres;
- procedimentos que lesionem nervos responsáveis pela ejaculação.
Nem toda ejaculação seca depois de uma cirurgia é retrógrada. Em determinadas operações, como a retirada da próstata, pode haver redução ou ausência do líquido seminal por outros mecanismos.
O que um estudo científico mostra
Segundo a revisão narrativa Recent Advances in the Diagnosis and Management of Retrograde Ejaculation, publicada na revista Diagnostics em 2025, a ejaculação retrógrada pode ter causas anatômicas, neurológicas e medicamentosas. Cirurgias da próstata, diabetes e determinados fármacos aparecem entre os fatores relevantes.
A avaliação pode incluir a análise da urina logo após o orgasmo. A presença de espermatozoides nessa amostra ajuda o médico a identificar se o sêmen está seguindo para a bexiga em vez de sair pela uretra.

Quando procurar o urologista
Uma mudança nova na quantidade de sêmen merece avaliação, principalmente quando surge após cirurgia ou início de medicamento, quando persiste ou quando existe dificuldade para ter filhos. O urologista pode revisar os remédios utilizados, o histórico cirúrgico e indicar exames para esclarecer a causa.
A ejaculação retrógrada geralmente não exige tratamento quando não causa incômodo nem interfere nos planos de fertilidade. Quando necessário, a abordagem depende da causa e deve ser individualizada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









