A suplementação de magnésio pode ajudar na prevenção e no alívio das crises de enxaqueca, principalmente em pessoas com níveis baixos do mineral. É uma das poucas substâncias com recomendação em diretrizes neurológicas internacionais como opção complementar no tratamento, ao lado de medicamentos tradicionais. A escolha da forma química, da dose e a avaliação profissional são fatores decisivos para que a suplementação realmente traga benefícios, sem substituir o acompanhamento médico.
Como o magnésio atua na enxaqueca?
O magnésio participa de mais de 300 reações no organismo e é essencial para o funcionamento do sistema nervoso. Ele regula a excitabilidade dos neurônios, atua sobre os receptores NMDA, controla a liberação de neurotransmissores e influencia o tônus dos vasos cerebrais.
A deficiência desse mineral pode favorecer a chamada depressão cortical alastrante, fenômeno elétrico associado ao início das crises com aura. Por isso, manter níveis adequados de magnésio é considerado um fator relevante para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios de enxaqueca.
A suplementação de magnésio ajuda mesmo?
Sim, a suplementação de magnésio é reconhecida pela American Academy of Neurology e pela American Headache Society como provavelmente eficaz na prevenção da enxaqueca, com nível B de evidência. A Academia Brasileira de Neurologia também considera o mineral uma opção complementar na profilaxia.
O benefício é mais evidente em pessoas com crises frequentes, deficiência do mineral ou contraindicação a medicamentos preventivos convencionais. Ainda assim, a resposta é individual e depende do tipo de enxaqueca, dos hábitos alimentares e da forma química utilizada.

O que revela o estudo publicado na Cephalalgia?
Diversos ensaios clínicos investigaram o efeito do magnésio na profilaxia da enxaqueca. Segundo o estudo Prophylaxis of migraine with oral magnesium, ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo publicado no periódico Cephalalgia, adultos que receberam 600 mg diários de dicitrato de magnésio por 12 semanas apresentaram redução de 41,6% na frequência das crises, contra 15,8% no grupo placebo.
Os autores também observaram diminuição significativa no número de dias com dor e no uso de medicamentos sintomáticos, com bom perfil de segurança e efeitos adversos leves, como diarreia e desconforto gástrico em parte dos participantes.
Quais são as diferenças entre as formas de magnésio?
Nem todas as formas de magnésio têm a mesma absorção ou finalidade. Entre as mais estudadas e utilizadas, destacam-se:
- Citrato de magnésio: forma com maior número de evidências em enxaqueca, boa absorção e efeito laxativo leve;
- Bisglicinato (glicinato) de magnésio: alta biodisponibilidade e boa tolerância gástrica, também associado a benefícios no sono e na ansiedade;
- Dimalato de magnésio: combinado com ácido málico, participa da produção de energia celular e costuma ser bem tolerado;
- Óxido de magnésio: absorção mais baixa, porém amplamente usado em estudos por seu custo reduzido;
- Treonato de magnésio: estudado por sua ação no sistema nervoso central, mas sem venda autorizada pela Anvisa no Brasil.
A dose utilizada nos estudos varia geralmente entre 400 mg e 600 mg por dia, muitas vezes fracionada em duas tomadas, sempre com orientação sobre o suplemento de magnésio mais adequado por um profissional.

Por que exames de sangue nem sempre detectam a deficiência?
O exame de sangue mais comum mede o magnésio sérico, que representa apenas cerca de 1% do magnésio total do organismo. A maior parte do mineral está armazenada dentro das células, principalmente nos ossos e músculos, o que faz com que os resultados possam permanecer normais mesmo diante de uma deficiência real.
Por esse motivo, a avaliação clínica dos sintomas, o padrão alimentar e o histórico de crises costumam ser tão importantes quanto o exame laboratorial. Para investigar a relação entre magnésio e enxaqueca e definir a melhor conduta, é fundamental buscar acompanhamento com neurologista ou nutricionista qualificado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado. A suplementação de magnésio deve ser feita sempre com orientação profissional, considerando o histórico clínico e possíveis interações medicamentosas.









