A apneia do sono em adultos provoca interrupções repetidas da respiração durante a noite, prejudicando a oxigenação e fragmentando o sono mesmo quando a pessoa não percebe os despertares. Obesidade, envelhecimento e alterações anatômicas das vias aéreas estão entre os principais fatores associados. Sem tratamento, o problema pode causar sonolência durante o dia e aumentar o risco de hipertensão, arritmias e outras doenças cardiovasculares.
Por que obesidade e envelhecimento aumentam o risco de apneia?
Na apneia do sono obstrutiva, os músculos da garganta relaxam enquanto a pessoa dorme e a passagem do ar fica parcial ou completamente bloqueada. O excesso de gordura ao redor do pescoço e das vias respiratórias pode favorecer esse estreitamento, tornando a obesidade um dos fatores de risco mais importantes.
Com o envelhecimento, também podem ocorrer mudanças na musculatura e nos tecidos das vias aéreas que facilitam seu colapso durante o sono. Além disso, características anatômicas como mandíbula pequena ou retraída, língua volumosa, amígdalas aumentadas e alterações do nariz ou da garganta podem contribuir para o problema mesmo em pessoas sem obesidade.
Quais problemas a apneia do sono pode causar?
Cada obstrução pode reduzir temporariamente o oxigênio no sangue e provocar um pequeno despertar para restabelecer a respiração. Quando isso acontece repetidamente, o sono fica fragmentado, favorecendo ronco intenso, cansaço ao acordar, dificuldade de concentração, dor de cabeça matinal e sonolência excessiva durante o dia.
A repetição de quedas de oxigênio e ativações do sistema nervoso também sobrecarrega o sistema cardiovascular. A apneia está associada a maior frequência de hipertensão, fibrilação atrial, doença coronariana, insuficiência cardíaca e AVC, embora o risco individual dependa da gravidade da doença e de outros fatores de saúde.

Quais sinais indicam que é preciso investigar apneia?
Algumas manifestações aumentam a suspeita e justificam avaliação médica:
- ronco alto e frequente, principalmente quando alternado com períodos de silêncio;
- pausas na respiração observadas pelo parceiro ou familiares durante o sono;
- engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite;
- sonolência excessiva durante atividades como trabalhar, estudar ou dirigir;
- dor de cabeça ao acordar e sensação de sono não reparador;
- pressão alta de difícil controle ou presença de outros problemas cardiovasculares;
- obesidade ou aumento da circunferência do pescoço associados aos sintomas.
A confirmação pode envolver a polissonografia, exame que registra durante o sono parâmetros como respiração, oxigenação, atividade cerebral e frequência cardíaca. Os resultados permitem identificar quantas vezes a respiração é interrompida ou reduzida e ajudam a definir a gravidade do quadro.
Como é feito o tratamento da apneia do sono?
O tratamento é individualizado conforme a causa, a gravidade e as características das vias aéreas:
- perda de peso: quando existe sobrepeso ou obesidade, reduzir o peso pode diminuir a gravidade da obstrução;
- CPAP: fornece pressão positiva através de uma máscara, mantendo as vias aéreas abertas durante o sono;
- aparelho intraoral: pode avançar a mandíbula e aumentar o espaço para a passagem do ar em pacientes selecionados;
- terapia posicional: pode ajudar quando os eventos acontecem principalmente ao dormir de barriga para cima;
- cirurgia: pode ser considerada quando existem alterações anatômicas específicas ou quando outras estratégias não são adequadas;
- mudanças de hábitos: evitar excesso de álcool à noite, parar de fumar e rever o uso de medicamentos sedativos com o médico podem fazer parte do tratamento.
O CPAP é uma das principais terapias, especialmente nos casos moderados ou graves, mas não existe uma solução única para todos. Aparelhos intraorais e procedimentos cirúrgicos precisam de avaliação especializada para identificar quem realmente pode se beneficiar.

O que um estudo mostra sobre apneia e saúde cardiovascular?
Segundo a revisão Sleep Disordered Breathing and Cardiovascular Disease, publicada no Journal of the American College of Cardiology, distúrbios respiratórios do sono provocam episódios repetidos de baixa oxigenação e ativação do sistema nervoso simpático e são frequentes entre pessoas com hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca e fibrilação atrial. A publicação também destaca perda de peso, exercícios e pressão positiva nas vias aéreas entre as estratégias utilizadas no tratamento.
Embora o tratamento melhore sintomas importantes, como a sonolência, a redução de eventos cardiovasculares com CPAP não é igualmente demonstrada em todos os grupos de pacientes. Por isso, controlar pressão arterial, peso, diabetes, colesterol e outros fatores de risco continua sendo parte fundamental do acompanhamento.
Adultos com ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono, sonolência importante ou suspeita de apneia devem procurar um médico, como pneumologista, otorrinolaringologista ou especialista em medicina do sono, para avaliação e definição dos exames e tratamentos mais adequados.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde habilitado.









