O surgimento de manchas escuras no rosto sem uma causa evidente costuma ser atribuído apenas ao sol, mas nem sempre essa é a explicação completa. Em muitos casos, essas alterações na pele indicam melasma, uma condição associada a mudanças hormonais provocadas por gravidez, uso de anticoncepcionais ou disfunções da tireoide. Reconhecer os sinais e investigar a origem é essencial para tratar o problema de forma adequada e evitar que ele se torne persistente.
O que é o melasma e como ele se manifesta?
O melasma é uma condição dermatológica caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas ou acinzentadas, geralmente simétricas, na testa, nas maçãs do rosto, no buço e no queixo. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, atinge com mais frequência mulheres em idade fértil e pessoas com fototipos mais escuros.
As manchas costumam se intensificar após exposição solar e podem regredir parcialmente em períodos de menor incidência de luz. Conhecer as características do melasma ajuda a diferenciá-lo de outras causas de hiperpigmentação da pele.
Por que o sol nem sempre é o único culpado?
Embora a radiação ultravioleta seja o principal fator desencadeante, o melasma é uma condição multifatorial. A predisposição genética, a sensibilidade hormonal e até a exposição à luz visível emitida por telas de computador e celular contribuem para o quadro.
Isso explica por que algumas pessoas desenvolvem manchas mesmo com uso regular de protetor solar. Sem investigar os fatores internos, o tratamento tende a ter resultados limitados e as recidivas se tornam frequentes.

Como os hormônios influenciam o surgimento das manchas?
As alterações hormonais são um dos gatilhos mais reconhecidos do melasma. Elas estimulam os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, aumentando a pigmentação em áreas expostas ao sol. Os principais fatores hormonais envolvidos incluem:
- Gravidez: o aumento dos níveis de estrogênio e progesterona pode desencadear o chamado cloasma gravídico, comum a partir do segundo trimestre.
- Anticoncepcionais orais: pílulas com estrogênio e progesterona podem estimular a produção de melanina, favorecendo o surgimento ou o agravamento das manchas.
- Terapia de reposição hormonal: comum na menopausa, pode ter efeito semelhante ao dos anticoncepcionais.
- Disfunções da tireoide: alterações no funcionamento da glândula, como hipotireoidismo, têm sido associadas a maior prevalência de melasma.
- Estresse crônico: pode influenciar o eixo hormonal e agravar o quadro pigmentar.
Como um estudo científico comprova a relação hormonal?
A ligação entre hormônios e melasma tem sido amplamente investigada por dermatologistas em todo o mundo. Uma revisão publicada em 2019 analisou os mecanismos moleculares envolvidos na formação das manchas e reforçou o papel dos hormônios femininos na patogênese da condição.
Segundo o estudo Melasma Pathogenesis: A Review of the Latest Research, Pathological Findings, and Investigational Therapies, publicado no Dermatology Online Journal, o estrogênio atua diretamente sobre os melanócitos e explica a maior prevalência do melasma em mulheres após a puberdade, durante a gravidez e em usuárias de anticoncepcionais orais.

Por que o protetor solar é indispensável no tratamento?
O uso diário de protetor solar com FPS 50 ou superior, com proteção contra luz UVA, UVB e luz visível, é a base de qualquer tratamento do melasma. Sem essa proteção, cremes clareadores e procedimentos estéticos têm eficácia reduzida e as manchas tendem a retornar rapidamente.
Além do filtro solar, o dermatologista pode indicar cremes com hidroquinona, ácido tranexâmico ou ácido azelaico, além de procedimentos como peelings químicos e laser. Ainda assim, quando existe suspeita de origem hormonal, investigar a causa é fundamental para conseguir tratar o melasma de forma duradoura. Uma avaliação médica completa permite identificar as verdadeiras causas das manchas escuras na pele e definir a conduta mais adequada para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer alteração persistente na pele, procure avaliação com um dermatologista.









