A dor na lateral do quadril que piora ao deitar de lado, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé costuma ser interpretada como um problema na coluna lombar. Em muitos casos, no entanto, a origem está na bursite trocantérica, uma inflamação da bursa localizada na parte externa do fêmur. A condição é especialmente comum em mulheres de meia-idade e, quando identificada precocemente, responde bem ao tratamento conservador, evitando meses de investigações desnecessárias.
O que é a bursite trocantérica?
A bursite trocantérica é a inflamação da bursa que recobre o trocânter maior, uma saliência óssea localizada na parte lateral do fêmur. A bursa é uma pequena bolsa preenchida por líquido que funciona como amortecedor entre ossos, tendões e músculos.
Quando essa estrutura fica irritada por sobrecarga, quedas, fraqueza muscular ou movimentos repetitivos, surge dor localizada e sensibilidade ao toque. Conhecer melhor os sintomas da bursite trocantérica ajuda a diferenciar a condição de outras causas de dor no quadril.
Por que a dor é confundida com problema na coluna?
A dor da bursite trocantérica pode irradiar para a face lateral da coxa e até para o joelho, um padrão que se assemelha à dor causada por hérnia de disco ou compressão do nervo ciático. Essa semelhança leva muitos pacientes a realizarem exames de coluna sem que a verdadeira origem seja identificada.
A distinção clínica é importante porque o tratamento é diferente. Enquanto a dor lombar irradiada exige avaliação da coluna, a bursite responde a medidas locais, fisioterapia e fortalecimento muscular específico da região do quadril.

Quais são os principais sintomas?
Reconhecer o padrão da dor é fundamental para diferenciar a bursite trocantérica de outras causas de desconforto na região. Os sintomas mais característicos são:
- Dor na lateral do quadril: localizada sobre a saliência óssea do fêmur, com sensibilidade ao toque.
- Piora ao deitar de lado: especialmente sobre o lado afetado, o que costuma prejudicar o sono.
- Desconforto ao subir escadas: ou ao levantar-se após permanecer sentado por longos períodos.
- Dor ao caminhar: por longas distâncias ou em terrenos irregulares.
- Irradiação para a coxa: podendo alcançar o joelho, mas sem seguir o trajeto do nervo ciático.
- Dificuldade para cruzar as pernas: ou realizar movimentos que pressionem a região lateral do quadril.
Como um estudo científico confirma a maior prevalência em mulheres?
A ligação entre bursite trocantérica e sexo feminino é bem documentada na literatura médica. Um estudo populacional avaliou mais de três mil adultos entre 50 e 79 anos e identificou os principais fatores associados à condição, incluindo idade, sexo e alterações biomecânicas dos membros inferiores.
Segundo o estudo Greater trochanteric pain syndrome: epidemiology and associated factors, publicado no PubMed, a prevalência da síndrome dolorosa do grande trocânter é de 15% em mulheres e 6,6% em homens, com risco três vezes maior no sexo feminino. Alterações biomecânicas nos membros inferiores, como problemas no joelho, também aumentam a probabilidade do quadro.

Quando procurar um ortopedista?
A avaliação médica é indicada sempre que a dor lateral do quadril persistir por mais de duas semanas, atrapalhar o sono ou limitar as atividades diárias. Um ortopedista pode realizar o exame físico e solicitar exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética, essenciais para diferenciar a bursite de outras condições, como tendinopatia glútea, artrose ou dor referida da coluna.
O tratamento costuma incluir repouso relativo, aplicação de gelo, uso de anti-inflamatórios e fisioterapia com foco no fortalecimento dos músculos glúteos. Em casos mais persistentes, o médico pode indicar infiltração com corticoide. Como a condição pode ter apresentação semelhante à de outras doenças, avaliar as diferentes causas de tendinite no quadril e da artrose no quadril ajuda o especialista a definir a conduta mais adequada para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de dor persistente no quadril, procure avaliação com um ortopedista.









