O formigamento nas mãos e nos pés pode estar relacionado à deficiência de vitamina B12, especialmente em quem consome pouca proteína animal, já que esse nutriente é essencial para preservar a saúde dos nervos periféricos. Quando os níveis dessa vitamina caem, a bainha de mielina que protege os nervos se desgasta, provocando sensações como agulhadas, dormência e queimação nas extremidades. Identificar esse sinal precocemente é fundamental para evitar danos neurológicos que podem se tornar permanentes.
Por que a vitamina B12 é essencial para os nervos periféricos?
A vitamina B12, também chamada de cobalamina, participa diretamente da formação da bainha de mielina, uma camada protetora que envolve os nervos e garante a transmissão adequada dos impulsos nervosos. Sem ela, essa proteção se deteriora e a comunicação entre o cérebro e o corpo fica comprometida.
Além dos nervos, a B12 é fundamental para a produção de glóbulos vermelhos e a síntese do DNA, o que explica por que sua carência afeta simultaneamente o sistema nervoso e o sanguíneo, causando sintomas variados e muitas vezes silenciosos.
Como a deficiência provoca formigamento e dormência?
Quando os níveis de vitamina B12 permanecem baixos por longos períodos, ocorre uma degeneração progressiva dos nervos periféricos, condição conhecida como neuropatia periférica. Esse processo gera formigamento simétrico nas mãos e nos pés, sensação de agulhadas, queimação e até perda de sensibilidade.
Com o avanço da carência, podem surgir dificuldade de equilíbrio, fraqueza nas pernas e sensação de andar sobre algodão. Reconhecer os sintomas da falta de vitamina B12 logo no início é essencial para evitar sequelas neurológicas mais graves.

Quais grupos correm maior risco de ter deficiência de B12?
Alguns perfis apresentam maior probabilidade de desenvolver deficiência dessa vitamina, seja por baixa ingestão, seja por dificuldade de absorção intestinal. Entre eles estão:
- Vegetarianos e veganos, pois a B12 é encontrada quase exclusivamente em alimentos ricos em vitamina B12 de origem animal
- Idosos, devido à redução natural do ácido gástrico e ao risco de anemia perniciosa
- Pessoas que usam inibidores de acidez, como omeprazol e pantoprazol, por tempo prolongado
- Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, especialmente do tipo Y-de-Roux
- Portadores de doenças intestinais, como doença de Crohn e doença celíaca, que comprometem a absorção do nutriente
Como um estudo científico confirma a relação entre B12 e nervos?
A associação entre deficiência de vitamina B12 e alterações neurológicas está amplamente documentada na literatura médica. Segundo a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency: A Systematic Review and Randomized Controlled Trial, publicada em 2025 na revista Cureus e disponível no PubMed, a carência de cobalamina é uma causa reconhecida de neuropatia periférica, declínio cognitivo e mielopatia.
Os autores analisaram dez ensaios clínicos randomizados e concluíram que a suplementação melhora significativamente os sintomas neurológicos em pacientes com deficiência confirmada, reforçando a importância do diagnóstico precoce para evitar sequelas permanentes.

Como confirmar a deficiência e o que fazer diante dos sintomas?
A única forma confiável de confirmar a deficiência de vitamina B12 é por meio de um exame de sangue que mede a concentração da cobalamina no organismo, geralmente considerado baixo abaixo de 210 pg/mL. Além disso, exames complementares como dosagem de homocisteína e ácido metilmalônico podem ser solicitados pelo médico. Diante de qualquer sintoma persistente, algumas atitudes são recomendadas:
- Procurar avaliação médica ao notar formigamento, dormência ou fraqueza nas extremidades
- Realizar exame de sangue para dosagem de vitamina B12 e nutrientes relacionados
- Incluir carnes, peixes, ovos e laticínios na alimentação sempre que possível
- Considerar alimentos fortificados ou suplementação para vegetarianos e veganos, sob orientação profissional
- Não iniciar suplementos por conta própria, pois a dose e a via de administração variam conforme o caso
- Manter acompanhamento regular, especialmente para idosos e pessoas com problemas digestivos
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e evitar complicações neurológicas que podem se tornar irreversíveis se a reposição for iniciada tarde demais.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança para orientações personalizadas.









