O uso de anticoncepcionais hormonais é comum entre as mulheres brasileiras, mas ainda gera dúvidas sobre a relação com a trombose. Pílulas combinadas, que contêm estrogênio, aumentam de forma discreta o risco de formação de coágulos, especialmente em fumantes, mulheres acima de 35 anos, obesas ou com histórico familiar da doença. Reconhecer os fatores de risco e os sinais de alerta é essencial para escolher o método contraceptivo mais seguro e evitar complicações graves, como a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar.
Por que o anticoncepcional com estrogênio aumenta o risco de trombose?
O estrogênio presente nas pílulas combinadas atua no fígado estimulando a produção de fatores de coagulação e reduzindo substâncias anticoagulantes naturais do organismo. Esse desequilíbrio favorece a formação de coágulos dentro das veias, principalmente nos membros inferiores.
Segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco absoluto de trombose em usuárias de pílula ainda é considerado baixo, mas aumenta quando outros fatores estão associados, como tabagismo, obesidade e predisposição genética.
O que um estudo científico mostra sobre esse risco?
Grandes revisões científicas ajudam a dimensionar melhor a relação entre pílulas combinadas e tromboembolismo venoso, mostrando que o risco varia conforme a dose de estrogênio e o tipo de progestogênio presente na fórmula. Esses dados orientam ginecologistas na escolha individualizada do método contraceptivo.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise em rede Different combined oral contraceptives and the risk of venous thrombosis publicada no British Medical Journal (BMJ), o uso de contraceptivos orais combinados aumenta em cerca de 3,5 vezes o risco de trombose venosa em relação a mulheres que não usam esses medicamentos, com variações importantes de acordo com a formulação utilizada.

Quem tem maior risco de desenvolver trombose ao usar pílula?
Nem todas as mulheres apresentam o mesmo nível de risco ao usar anticoncepcional hormonal combinado. A avaliação médica considera diferentes fatores que, quando somados, aumentam significativamente a chance de formação de coágulos:
- Tabagismo: fumar potencializa muito o risco, especialmente após os 35 anos.
- Idade acima de 35 anos: o risco vascular natural aumenta com o passar dos anos.
- Obesidade: o excesso de peso favorece o comprometimento da circulação e da coagulação.
- Histórico pessoal ou familiar de trombose: sugere possível predisposição genética.
- Trombofilias hereditárias: alterações como fator V de Leiden aumentam expressivamente o risco.
- Imobilização prolongada: pós-operatórios, viagens longas ou repouso extenso favorecem coágulos.
- Hipertensão, diabetes e enxaqueca com aura: condições que impactam o sistema vascular.
Antes de iniciar qualquer método hormonal, é importante conversar com o ginecologista sobre os fatores de risco e considerar alternativas mais seguras, como o DIU ou pílulas apenas com progesterona.
Quais alternativas mais seguras existem para quem tem risco aumentado?
Para mulheres com fatores de risco relevantes, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) e a Febrasgo recomendam métodos que não contenham estrogênio, já que a progesterona isolada praticamente não interfere na coagulação sanguínea.
Entre as opções mais indicadas estão as pílulas de progesterona isolada, o implante subdérmico, o DIU hormonal (com levonorgestrel) e o DIU de cobre, que não possui hormônios. A escolha ideal deve considerar idade, saúde geral, planejamento reprodutivo e preferências pessoais, sempre com orientação médica.

Quais sinais de alerta merecem atenção imediata?
Reconhecer precocemente os sintomas de trombose pode salvar vidas, principalmente porque um coágulo pode se deslocar e chegar aos pulmões, causando embolia pulmonar. Fique atenta aos seguintes sinais:
- Inchaço súbito em apenas uma perna, geralmente com sensação de peso.
- Dor na panturrilha, que piora ao caminhar ou permanecer em pé.
- Vermelhidão, calor local ou pele mais escura na região afetada.
- Falta de ar repentina, sem causa aparente.
- Dor no peito, principalmente ao respirar fundo.
- Tosse com sangue, tontura ou desmaio.
- Dor de cabeça intensa e persistente, com alterações visuais ou fraqueza em um lado do corpo.
Diante de qualquer um desses sintomas, é essencial procurar atendimento de emergência imediatamente. A avaliação médica é o único caminho seguro para diagnosticar, tratar e definir a melhor conduta em relação ao uso de contraceptivos hormonais.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer sintoma, procure orientação médica.









