O formigamento causado pelo diabetes costuma aparecer primeiro nos pés porque a neuropatia diabética geralmente segue um padrão dependente do comprimento dos nervos. As fibras nervosas que percorrem as pernas têm trajetos muito longos e suas terminações mais distantes tendem a sofrer primeiro com alterações metabólicas e vasculares associadas à glicose elevada. Com a progressão do dano, os sintomas podem subir pelas pernas e, mais tarde, alcançar as mãos.
Por que o formigamento do diabetes começa nos pés?
A forma mais comum de neuropatia associada ao diabetes é a polineuropatia distal simétrica. Nela, o comprometimento costuma começar nas extremidades mais distantes do corpo, especialmente nos dedos e nas plantas dos pés, e tende a aparecer de maneira semelhante nos dois lados.
Isso ocorre porque os axônios que chegam aos pés estão entre os mais longos do organismo. Manter essas fibras funcionando exige transporte constante de energia, proteínas e outras substâncias ao longo do nervo. Alterações causadas pela hiperglicemia, estresse oxidativo e prejuízo da microcirculação podem tornar as regiões distais mais vulneráveis, fazendo os sintomas surgirem nos pés antes das mãos.
O que acontece com os nervos na neuropatia diabética?
Quando a glicose permanece elevada por períodos prolongados, diferentes mecanismos podem prejudicar as células nervosas e os pequenos vasos responsáveis por nutri-las. Com o tempo, pode ocorrer perda de fibras nervosas e falha na transmissão dos sinais de temperatura, dor, toque e vibração, características da neuropatia diabética.
A progressão costuma formar um padrão conhecido como “meias e luvas”, começando nos pés, avançando pelas pernas e podendo alcançar as mãos quando o comprometimento está mais disseminado. Nem todo formigamento em uma pessoa com diabetes, porém, é causado pela doença. Deficiência de vitamina B12, compressões nervosas e outras formas de neuropatia periférica também precisam ser consideradas.

Quais sintomas podem acompanhar o formigamento?
O dano aos nervos pode provocar sensações anormais ou, no sentido oposto, reduzir a capacidade de perceber determinados estímulos. Os sinais mais comuns incluem:
- Formigamento ou sensação de agulhadas nos pés;
- Queimação, frequentemente mais incômoda durante a noite;
- Sensação de choque ou pontadas sem causa aparente;
- Dormência ou perda progressiva da sensibilidade;
- Dor provocada até por estímulos leves, como o contato do lençol;
- Dificuldade para perceber calor, frio, cortes ou pequenas feridas.
Como um estudo científico explica esse padrão nos pés?
Segundo Pathogenesis of Distal Symmetrical Polyneuropathy in Diabetes, revisão científica revisada por pares publicada na revista Life (Basel) em 2022, a polineuropatia distal simétrica apresenta um padrão dependente do comprimento. Os autores descrevem alterações na mielina, nas células de Schwann e no transporte axonal, seguidas por perda das porções distais dos axônios que progride de acordo com o comprimento das fibras.
Esses achados ajudam a explicar por que os primeiros sintomas geralmente aparecem nas pontas dos pés e avançam de forma ascendente. A revisão também mostra que a origem da neuropatia é multifatorial, envolvendo alterações metabólicas, microvasculares e do próprio tecido nervoso, reforçando a importância do controle adequado do diabetes para reduzir o risco de complicações.

Como proteger os pés quando há perda de sensibilidade?
Quem tem diabetes e percebe dormência ou formigamento deve redobrar os cuidados para diminuir o risco de machucados e de problemas relacionados ao pé diabético:
- Examinar os pés todos os dias, inclusive entre os dedos e nas plantas;
- Procurar cortes, bolhas, rachaduras, vermelhidão ou mudanças de cor;
- Evitar andar descalço, mesmo dentro de casa;
- Usar calçados confortáveis e verificar o interior antes de colocá-los;
- Manter a pele hidratada, evitando aplicar creme entre os dedos;
- Não cortar calos ou tentar tratar feridas por conta própria;
- Manter o acompanhamento e o controle da glicemia conforme orientação profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Formigamento persistente, perda de sensibilidade, mudança de cor ou feridas nos pés devem ser avaliados por um endocrinologista, neurologista ou outro profissional de saúde.








