O sal com potássio entrou nas recomendações internacionais como uma alternativa para adultos que usam sal de mesa e não têm contraindicações. A ideia é reduzir parte do sódio da alimentação e, ao mesmo tempo, aumentar a ingestão de potássio, combinação que pode ajudar no controle da pressão arterial.
Por que o sódio eleva a pressão
O consumo excessivo de sódio favorece retenção de líquido e maior tensão nos vasos sanguíneos. Com o tempo, isso pode contribuir para pressão alta, AVC, infarto e doença renal.
Reduzir o sal continua sendo essencial, mas muitas pessoas têm dificuldade em manter essa mudança. Nesse contexto, os substitutos com cloreto de potássio podem ajudar quando usados no lugar do sal comum, e não como autorização para salgar mais a comida.

O que a OMS recomenda
Segundo a diretriz da Organização Mundial da Saúde, adultos da população geral que escolhem usar sal de mesa podem substituir o sal comum por versões com menos sódio e com potássio, desde que não tenham problemas que prejudiquem a eliminação desse mineral.
A recomendação é condicional e não se aplica a crianças, gestantes, pessoas com doença renal ou indivíduos em situações que possam aumentar o risco de potássio alto no sangue. Também não substitui a meta de reduzir o sódio total da dieta, inclusive de ultraprocessados, temperos prontos e refeições fora de casa.
O que diz o estudo científico
Um dos estudos que reforça essa estratégia é o ensaio clínico randomizado por conglomerados Effect of Salt Substitution on Cardiovascular Events and Death, parte do Salt Substitute and Stroke Study, publicado no New England Journal of Medicine. Ele comparou sal comum com um substituto contendo 75% de cloreto de sódio e 25% de cloreto de potássio.
O estudo incluiu 20.995 adultos de áreas rurais da China, com histórico de AVC ou idade acima de 60 anos e pressão alta. Após acompanhamento médio de 4,74 anos, o grupo que usou o substituto teve menor taxa de AVC, eventos cardiovasculares maiores e morte por qualquer causa, sem aumento significativo de eventos graves atribuídos à hipercalemia.
Quem deve evitar sal com potássio
O cuidado principal é que o potássio, quando se acumula no sangue, pode alterar os batimentos cardíacos. Por isso, a troca deve ser avaliada com médico ou nutricionista em alguns casos:
- Doença renal: especialmente insuficiência renal crônica ou função renal reduzida.
- Uso de diuréticos poupadores de potássio: como espironolactona, amilorida ou triantereno.
- Uso de suplementos de potássio: ou fórmulas prescritas com esse mineral.
- Doenças cardíacas ou arritmias: principalmente quando há uso de vários medicamentos.
- Gestação e infância: grupos não contemplados pela recomendação da OMS.

Como usar com mais segurança
A troca só faz sentido se vier junto com uma redução geral do sal. Para controlar melhor a pressão alta, também é importante cuidar do peso, da atividade física, do sono, do consumo de álcool e da qualidade da alimentação.
- Use o substituto na mesma ou em menor quantidade que usaria sal comum.
- Leia o rótulo para confirmar se há cloreto de potássio na composição.
- Reduza embutidos, macarrão instantâneo, temperos prontos, salgadinhos e fast food.
- Não misture sal comum e sal com potássio para “compensar” o sabor.
- Faça exames periódicos se tiver hipertensão, diabetes, doença renal ou uso contínuo de remédios.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









