Queilite angular é o nome dado às fissuras e feridas nos cantos da boca que ardem, doem e podem piorar ao falar ou comer. Embora o ressecamento tenha seu papel, esse quadro costuma ter relação com deficiência nutricional, especialmente baixa de vitamina B e ferro, nutrientes importantes para pele, mucosa, oxigenação dos tecidos e cicatrização.
Quando a boqueira indica falta de nutrientes?
Nem toda rachadura no canto da boca aponta carência alimentar, mas a repetição do problema, a dor persistente e a dificuldade para cicatrizar merecem atenção. A mucosa labial se renova rápido e depende de bom aporte de vitaminas do complexo B, ferro, proteínas e hidratação adequada para manter a barreira local íntegra.
Quando há queda de ferro ou de vitamina B, a pele pode ficar mais vulnerável a inflamação, fissuras e entrada de fungos e bactérias. Por isso, a queilite angular muitas vezes aparece junto de sinais como palidez, cansaço, língua sensível, descamação dos lábios e aftas frequentes.
O que a pesquisa recente mostra sobre queilite angular?
Pesquisa publicada em 2024 reforçou que a queilite angular tem causas múltiplas e pode funcionar como marcador de condições de base, incluindo deficiência nutricional. A revisão destacou que o problema nem sempre é apenas local, já que alterações carenciais podem favorecer a inflamação e a manutenção das fissuras. Vale ler a relação entre queilite angular e carências nutricionais.
Outra investigação, em pacientes com queilite crônica, encontrou anemia como fator de risco independente, com predomínio de anemia por falta de ferro entre os casos anêmicos. Esse dado apoia a associação entre anemia ferropriva e quadros persistentes de queilite, sobretudo quando as lesões voltam com frequência.

Quais vitaminas do complexo B e minerais mais importam?
Entre os nutrientes mais ligados a fissuras nos cantos da boca, alguns merecem investigação clínica e alimentar. Eles participam da renovação celular, da integridade da mucosa e do transporte de oxigênio para os tecidos.
- Vitamina B2, importante para pele e mucosas.
- Vitamina B6, envolvida no metabolismo proteico e na resposta inflamatória.
- Vitamina B12, essencial para formação das células do sangue e saúde neurológica.
- Ferro, indispensável para hemoglobina e cicatrização adequada.
- Folato, que atua na divisão celular e na renovação dos tecidos.
Na prática, a carência não costuma vir isolada. Dietas muito restritas, baixo consumo de carnes, ovos, leguminosas e laticínios, além de má absorção intestinal, podem favorecer esse desequilíbrio. No portal Tua Saúde, há uma explicação útil sobre os sinais de queilite angular e suas causas mais comuns.
Que sinais ajudam a diferenciar ressecamento comum de deficiência nutricional?
O ressecamento simples tende a melhorar com proteção labial e ajuste da exposição ao frio, vento ou saliva. Já a queilite angular ligada a carência pode persistir por semanas, abrir de novo após breve melhora e vir acompanhada de outros sintomas no corpo.
- fissuras dolorosas que sangram ou formam crostas
- ardor ao abrir a boca
- palidez, fraqueza ou falta de disposição
- língua avermelhada ou sensível
- queda de cabelo, unhas frágeis ou pele muito seca
Esses sinais não fecham diagnóstico sozinhos, mas aumentam a suspeita de falta de ferro, vitamina B12, B2, B6 ou folato. Também é preciso lembrar que próteses mal ajustadas, excesso de saliva, infecção por Candida e irritação local podem coexistir com a deficiência nutricional.
O que comer e quando procurar avaliação?
Se houver suspeita de baixa ingestão, vale revisar o padrão alimentar com foco em fontes de ferro e vitaminas do complexo B. Entram nesse plano carnes, fígado, ovos, leite e derivados, feijão, lentilha, grão-de-bico, folhas verde-escuras e cereais enriquecidos. Combinar leguminosas com frutas ricas em vitamina C pode melhorar a absorção do ferro não heme.
Quando a queilite angular é recorrente, o caminho mais seguro inclui exame clínico, investigação de anemia e avaliação de marcadores nutricionais. Esse cuidado é ainda mais importante em pessoas com perda de peso sem explicação, dieta muito seletiva, gastrite atrófica, uso prolongado de alguns medicamentos ou cirurgia bariátrica, situações que alteram absorção, metabolismo e recuperação da mucosa oral.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.









