O café filtrado no papel pode ter uma vantagem pouco lembrada em relação a muitas bebidas de máquina: reter parte dos compostos cafestol e kahweol. Essas substâncias estão naturalmente presentes no café, mas em maior quantidade podem influenciar o colesterol LDL, especialmente quando o consumo é frequente.
Por que o filtro faz diferença
Cafestol e kahweol são diterpenos presentes na fração oleosa do café. Quando a bebida passa por um filtro de papel, boa parte desses compostos fica retida, reduzindo a quantidade que chega à xícara.
Em algumas máquinas de escritório, a filtragem pode ser diferente da coagem tradicional. Filtros metálicos, extração rápida ou preparo sem papel podem deixar passar mais óleo do café, o que ajuda a explicar a diferença observada entre métodos.

O que o estudo científico encontrou
O estudo laboratorial Cafestol and kahweol concentrations in workplace machine coffee compared with conventional brewing methods, publicado na revista Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases, analisou cafés de máquinas de locais de trabalho e comparou com métodos convencionais de preparo.
Os pesquisadores encontraram concentrações maiores de cafestol e kahweol em muitas bebidas feitas por máquinas de preparo com grãos ou pó, em comparação ao café coado no papel. O estudo também mostrou grande variação entre máquinas, indicando que nem todo café de escritório tem o mesmo perfil.
Quais cafés tendem a ter mais compostos
O teor de diterpenos costuma ser maior quando o café não passa por filtragem eficiente no papel. Isso não significa que todo café de máquina seja ruim, mas ajuda a orientar escolhas para quem consome várias xícaras por dia.
- Café fervido e não filtrado tende a concentrar mais cafestol e kahweol.
- Prensa francesa e alguns filtros metálicos podem reter menos óleos.
- Máquinas de escritório variam conforme modelo, filtro e modo de extração.
- Café coado em filtro de papel geralmente apresenta menores teores desses compostos.
Como escolher no dia a dia
Para quem bebe café com frequência, pequenas trocas podem reduzir a exposição aos diterpenos sem precisar abandonar a bebida. A escolha do método de preparo é um ponto simples de ajuste.
- Prefira café filtrado em papel se você toma várias xícaras por dia.
- Observe se a máquina usa filtro de papel, metal ou cápsula.
- Evite transformar cafés não filtrados em consumo diário excessivo.
- Quem tem colesterol alto deve conversar com nutricionista ou médico sobre o melhor preparo.
- Considere alternar o café da máquina com café coado no papel.
Também vale conhecer os possíveis benefícios e cuidados com o café, já que a bebida pode fazer parte de uma rotina equilibrada, mas o efeito depende da quantidade, do preparo e da saúde de cada pessoa.

Quando ter mais atenção
A troca para café filtrado pode ser especialmente útil para pessoas com colesterol LDL alto, histórico familiar de doença cardiovascular ou consumo elevado de café ao longo do expediente. Nesses casos, o método de preparo pode somar ao cuidado com alimentação, atividade física e acompanhamento dos exames.
O café continua sendo uma bebida complexa, com compostos potencialmente benéficos e outros que exigem moderação. Por isso, o foco não deve ser medo, mas escolha informada, especialmente para quem toma café todos os dias.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









