O ômega-3 é conhecido por seus possíveis benefícios para triglicerídeos e saúde cardiovascular, mas doses altas em cápsulas ou produtos concentrados não devem ser usadas sem orientação. Uma nova análise de estudos clínicos reforça que, em algumas situações, o uso em dose elevada pode aumentar o risco de fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca.
O que é fibrilação atrial
A fibrilação atrial acontece quando os batimentos do coração ficam irregulares, geralmente mais rápidos ou descompassados. Ela pode causar palpitações, falta de ar, tontura, cansaço e sensação de coração “falhando”.
Nem sempre há sintomas claros, mas o quadro merece atenção porque pode aumentar o risco de complicações, como formação de coágulos e AVC, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular.

O que mostrou o estudo científico
A preocupação com o ômega-3 em dose alta vem principalmente de ensaios clínicos que testaram cápsulas concentradas de EPA e DHA, não do consumo habitual de peixes na alimentação. Isso ajuda a explicar por que os resultados podem parecer contraditórios.
Segundo a revisão Omega-3 and Risk of atrial fibrillation: Vagally-mediated double-edged sword, publicada na revista Progress in Cardiovascular Diseases, meta-análises de 8 ensaios clínicos randomizados, com 83.112 participantes, associaram o tratamento com DHA e/ou EPA a um aumento relativo de 24% no risco de fibrilação atrial. A análise também apontou relação com a dose, com risco maior nas faixas de 1.800 a 4.000 mg por dia.
Quando o risco merece mais atenção
O achado não significa que toda pessoa que usa ômega-3 terá arritmia. Porém, alguns grupos devem ter mais cautela antes de iniciar ou aumentar a dose por conta própria.
- Pessoas com histórico de fibrilação atrial ou outras arritmias;
- Quem tem doença cardíaca, pressão alta ou risco cardiovascular elevado;
- Usuários de anticoagulantes, antiagregantes ou vários remédios contínuos;
- Pessoas que usam cápsulas com doses altas de EPA e DHA;
- Quem sente palpitações, tontura ou falta de ar após iniciar o suplemento.
Ômega-3 da comida é diferente
O consumo de peixes e frutos do mar dentro de uma alimentação equilibrada não é a mesma coisa que tomar doses farmacológicas de suplemento. Na própria revisão, os estudos observacionais sobre ingestão alimentar e níveis sanguíneos de ômega-3 tiveram resultados mais favoráveis do que os ensaios com altas doses.
Por isso, a decisão não deve ser “ômega-3 faz bem” ou “ômega-3 faz mal”, mas sim qual é a dose, o objetivo, o tipo de produto e o perfil de risco da pessoa. Veja também para que serve e como usar o ômega-3.

Cuidados antes de suplementar
Antes de usar ômega-3 em cápsulas, especialmente em dose alta, é importante confirmar se há indicação real. O uso por conta própria pode ser desnecessário e dificultar o controle de sintomas cardíacos.
- Confira no rótulo a quantidade de EPA e DHA por dose;
- Evite combinar vários suplementos com ômega-3 ao mesmo tempo;
- Informe o médico se usa remédios para o coração ou anticoagulantes;
- Procure avaliação se tiver palpitações, dor no peito, tontura ou desmaio;
- Não substitua medicamentos prescritos por suplementos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, cardiologista, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado.









