Perceber uma quantidade grande de fios caindo durante o banho, sem qualquer causa evidente, é uma queixa comum que costuma ser atribuída ao estresse ou à genética. Entre as causas frequentemente esquecidas está a deficiência de zinco, um mineral essencial para o ciclo de crescimento capilar e para a produção de queratina. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, níveis baixos de zinco podem contribuir para o eflúvio telógeno, forma difusa de queda de cabelo em que muitos fios entram na fase de repouso ao mesmo tempo, deixando o couro cabeludo com aspecto ralo em poucas semanas.
Como o zinco influencia o ciclo capilar?
O zinco participa da síntese de proteínas, da divisão celular e da produção de queratina, principal componente estrutural do fio de cabelo. Também é essencial para a atividade das enzimas envolvidas na renovação do couro cabeludo e no funcionamento adequado dos folículos pilosos.
Quando os níveis desse mineral estão baixos, o ciclo capilar é comprometido, com encurtamento da fase de crescimento (anágena) e antecipação da fase de queda (telógena). O resultado é uma queda difusa, sem falhas localizadas, que pode ser silenciosa e progressiva.
Quem tem maior risco de deficiência de zinco?
Nem todo mundo apresenta risco elevado de deficiência, mas alguns grupos precisam de atenção especial. Vegetarianos e veganos mal orientados podem ter ingestão insuficiente, já que fontes animais como carnes, ovos e frutos do mar oferecem melhor biodisponibilidade do mineral.
Pessoas com doenças intestinais como doença de Crohn, retocolite ulcerativa e doença celíaca também apresentam maior risco por prejuízo na absorção. Alcoolismo, uso crônico de diuréticos e dietas muito restritivas completam a lista dos principais grupos vulneráveis.

Que estudo científico apoia a relação entre zinco e queda de cabelo?
A relação entre baixos níveis de zinco e queda capilar já foi documentada em pesquisas clínicas. Segundo o estudo Role of zinc in chronic telogen effluvium in serum and hair of patients with alopecia, publicado na revista Journal of the Pakistan Medical Association e indexado no PubMed, pacientes com eflúvio telógeno crônico apresentaram níveis significativamente mais baixos de zinco tanto no sangue quanto nos fios de cabelo em comparação com controles saudáveis.
Os autores destacam que a dosagem do mineral pode ser útil na investigação de quadros persistentes de queda difusa, embora reforcem que a suplementação só deve ser feita com base em exames e sob orientação profissional.
Quais outras causas devem ser investigadas?
A queda de cabelo persistente raramente tem uma única causa e exige uma avaliação ampla. Focar apenas no zinco pode atrasar o diagnóstico de outras condições comuns e igualmente tratáveis. Entre os exames e fatores que costumam ser investigados estão:
- Ferritina, para avaliar estoque de ferro, causa frequente de queda difusa em mulheres
- TSH e T4 livre, para descartar hipotireoidismo ou hipertireoidismo
- Vitamina D, com níveis baixos associados a maior risco de eflúvio
- Zinco e cobre, minerais envolvidos na síntese de queratina
- Vitamina B12 e ácido fólico, importantes para a divisão celular do folículo
- Hemograma completo, para investigar anemia e sinais de inflamação
- Hormônios sexuais e androgênicos, especialmente em casos com afinamento no topo
- Avaliação nutricional, para verificar consumo proteico e adequação da dieta
Diante da queda persistente, o ideal é investigar de forma ampla e não apenas com um tratamento para queda de cabelo genérico sem entender a causa de fundo.

Como manter bons níveis de zinco no dia a dia?
A melhor forma de prevenir a deficiência é garantir uma ingestão adequada por meio da alimentação equilibrada. A recomendação diária é de cerca de 11 mg para homens e 8 mg para mulheres adultas, quantidade alcançável com escolhas simples ao longo da semana. Entre as principais fontes estão:
- Ostras, camarão e caranguejo, entre as fontes mais concentradas do mineral
- Carnes vermelhas magras e vísceras, como fígado, com boa biodisponibilidade
- Frango, peru e ovos, opções acessíveis para o dia a dia
- Sementes de abóbora, girassol e linhaça, ótimas para vegetarianos
- Castanhas, amêndoas e nozes, ricas em zinco e gorduras saudáveis
- Feijão, lentilha e grão-de-bico, combinam zinco com fibras e proteína vegetal
- Aveia, quinoa e arroz integral, cereais que preservam o mineral
Vegetarianos devem combinar fontes vegetais ao longo do dia e reduzir o consumo excessivo de café e chá durante as refeições, já que fitatos e taninos podem prejudicar a absorção. Uma orientação com nutricionista ajuda a montar um cardápio adequado sem risco de deficiência. Para quem quer conhecer opções, vale consultar uma lista de alimentos ricos em zinco.
Se a queda de cabelo for intensa, persistente por mais de três meses ou associada a cansaço, alterações menstruais, unhas fracas e infecções frequentes, procure um dermatologista para avaliação completa. A investigação ampla, incluindo dosagens nutricionais e hormonais, é o caminho mais seguro para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









