Os novos medicamentos lecanemabe e donanemabe não curam o Alzheimer, mas representam uma mudança importante porque atuam sobre mecanismos ligados à progressão da doença. A principal promessa é desacelerar a perda de memória e função em pessoas ainda nas fases iniciais.
Como funciona o remédio Alzheimer nas fases iniciais
Esse tipo de remédio Alzheimer é um anticorpo monoclonal, ou seja, um medicamento feito para reconhecer um alvo específico no cérebro. No caso do lecanemabe e do donanemabe, o alvo principal são placas de beta-amiloide, proteína associada ao desenvolvimento da doença.
Segundo a Alzheimer’s Association, o lecanemabe é indicado para pessoas com Alzheimer inicial, incluindo comprometimento cognitivo leve ou demência leve, desde que exista confirmação de acúmulo de amiloide no cérebro.
O que lecanemabe e donanemabe fazem de diferente
A diferença desses remédios é que eles não agem apenas nos sintomas, como fazem medicamentos usados há mais tempo. Eles tentam interferir em uma das alterações biológicas da doença, o que pode mudar a velocidade da progressão.
- Lecanemabe: é administrado por infusão intravenosa e foi estudado em pessoas com Alzheimer inicial e presença confirmada de amiloide.
- Donanemabe: também é aplicado por infusão e mostrou benefício em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer.
- Ambos: exigem avaliação neurológica, exames de imagem e acompanhamento para reduzir riscos durante o tratamento.

O que diz o estudo científico sobre lecanemabe
Um dos principais marcos dessa nova fase foi o ensaio clínico de fase 3 Clarity AD, publicado no New England Journal of Medicine. O estudo avaliou pessoas com Alzheimer inicial e mostrou que o lecanemabe reduziu placas amiloides e foi associado a menor declínio cognitivo e funcional em 18 meses, em comparação ao placebo.
Esse resultado não significa recuperação da memória perdida, mas indica que, em um grupo selecionado de pacientes, o tratamento pode ganhar tempo de autonomia. Por isso, o diagnóstico precoce se tornou ainda mais relevante.
Quem pode se beneficiar e quais cuidados são necessários
Esses medicamentos não são indicados para todos os casos de Alzheimer. A seleção costuma considerar estágio da doença, exames que confirmem amiloide, estado geral de saúde e risco de efeitos adversos. Para entender melhor os sinais iniciais, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre Alzheimer.
- Podem se beneficiar: pessoas com sintomas leves, diagnóstico bem definido e presença de amiloide confirmada por exame.
- Precisam de cautela: pacientes com maior risco de sangramentos, uso de anticoagulantes ou alterações importantes em exames cerebrais.
- Exigem monitoramento: é necessário acompanhar possíveis reações à infusão e alterações chamadas ARIA, que podem envolver inchaço ou pequenos sangramentos no cérebro.

O que muda para pacientes e famílias
A chegada desses tratamentos muda a conversa sobre Alzheimer porque reforça a importância de investigar esquecimentos persistentes mais cedo. Quanto antes a doença é identificada, maior a chance de avaliar opções que podem preservar memória, independência e rotina por mais tempo.
Ainda assim, lecanemabe e donanemabe não substituem cuidados essenciais, como acompanhamento médico, controle de pressão, diabetes e colesterol, atividade física, sono adequado e estímulo cognitivo. O futuro do tratamento tende a combinar diagnóstico precoce, medicamentos mais específicos e cuidado contínuo da pessoa e da família.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, especialmente neurologista ou geriatra.









